Quinta-feira, 02 de Abril de 2020
Editorial

Um ministro e muitos problemas


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13/02/2020 às 07:07

Mantida a posição do economista e professor Abraham Weintraub, o Ministério da Educação tende a seguir a linha da turbulência e das trapalhadas nesta gestão. A presença do ministro Weintraub há dois dias em audiência no Senado demonstrou o apreço do gestor ao autoelogio e ao culto de pseudo eficiência no trabalho que desenvolve dentro da equipe de governo.
Nessa direção, a política educacional brasileira poderá até ganhar um rosto cívico-militar como insistem o ministro, parte do parlamento nacional e setores religiosos e da sociedade, mas não alcançará o nível desejado e o equilíbrio na condução das medidas de potencialização do sistema educacional do País.

Os prejuízos serão avolumados e o tempo de reparação do que hora está sendo feito muito mais longo quando as batalhas travadas há décadas por professores, estudantes, técnicos, associações de pais e mestres e pesquisadores são na perspectiva de implantar um sistema educacional eficaz, competente social e economicamente e em permanente exercício de cooperação, intercâmbio na direção de formar cidadãos e profissionais responsáveis, livres e autônomos. Não é o medo instituído e a obediência de viseira que irão produzir o cenário educacional que a nação quer e busca ter. Este costuma produzir depressão, outros adoecimentos e incentiva a formação e vivência autoritárias.


O ministro da Educação olha para o retrovisor e estabelece comparações grotescas como indicativo de como deve funcionar uma escola pública e uma universidade federal. Parece ter prazer ou inclinação a provocações a professores, estudantes e toda a comunidade acadêmica. Investe tempo e energia no fomento a esse clima enquanto os problemas na pasta que administra se avolumam e pedem respostas mais ágeis até agora não dadas. A forma como respondeu aos questionamentos feitos por senadores sobre os recentes problemas na realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), no cumprimento de prazos para divulgar informações e na ausência de dados que pudessem esclarecer o que ocorreu demonstrou aparente despreocupação ou pouco caso com tais episódios.

A recorrente desqualificação que Weintraub faz das faculdades brasileiras aponta para um questionamento: qual é a aptidão do ministro para dirigir o MEC? E abre outra frente de enfrentamento a qual o ministro terá de encarar porque a alimentou.
        
 


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