Domingo, 07 de Junho de 2020
Editorial

Solidariedade emergencial


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08/04/2020 às 07:59

O auxílio emergencial que o governo federal começa a pagar hoje aos trabalhadores autônomos de todo o Brasil como forma de garantir renda mínimo a milhões de brasileiros que de outra forma não teriam como se sustentar durante a crise do coronavírus não poderá chegar a todos que precisam. Isso porque a verba disponível para essa finalidade é de R$ 25 bilhões, o que só atenderia 13,8 milhões de pessoas com a ajuda de R$ 600. Como a meta do governo é garantir a rende de 20 milhões de informais, a conta não fecha.

Diante disso, é preciso providenciar imediatamente a ampliação do programa, com dotação de recursos emergenciais para socorrer a população. O governo afirma trabalhar com diversos cenários, e se a disponibilidade de recursos mostrar-se insuficiente, a equipe econômica agirá com rapidez para ampliar a verba. Mesmo assim, o risco de o País ter milhões de desassistidos é gigante, o que exigirá uma mobilização nacional sem precedentes. O brasileiro terá que manifestas toda a sua solidariedade para ajudar aqueles que não puderem ser alcançados pelo cobertor do governo.

Estados e municípios, empresas menos afetadas, igrejas e a sociedade como um todo terão que se unir em uma corrente solidária abrangente. Por enquanto, esse espírito solidário que ressalta a empatia de cada um em relação ao outro ainda não apareceu. O que se vê demonstrações de egoísmo - com pessoas esgotando os estoques de álcool gel, comprando muito mais do que precisa apenas porque pode; comerciantes aumentando preços de forma abusiva, mesmo de itens básicos em face da alta demanda; e, principalmente, muitas pessoas expondo-se ao risco de contágio, seja por ignorância ou porque acredita ser jovem ou saudável o bastante para resistir, sem se importar em ser um vetor do vírus, levando a doença para outras pessoas, que talvez não tenham tanta sorte. Uma crise como essa que se instalou no mundo consegue fazer as pessoas mostrarem o que têm de pior, mas também revela o que elas têm de melhor.

 Vamos esperar que as manifestações de solidariedade sejam maiores e mais abrangentes que os atos mesquinhos. Nossa capacidade de sermos pessoas boas está sendo posta à prova à medida que a pandemia avança. E infelizmente, ainda vai avançar um pouco mais antes de começar a perder força.


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