Domingo, 07 de Junho de 2020
Editorial

Salvar os despojados da vida


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09/04/2020 às 08:07

Amanhã, uma sexta-feira santa diferente para os católicos do mundo ganham destaque declarações feitas pelo Papa Francisco tanto em falas recentes direcionadas ao povo cristão quanto nas entrevistas. O papa vem se constituindo em personalidade seguida e observada em todos os continentes, suas atitudes e posicionamentos têm ajudado milhares de pessoas a se sentirem menos sozinhas, a substituir a angústia pela esperança, a tristeza profunda por momentos de alegria e de fortalecimento da alma.

São falas que denunciam descaminhos inclusive da Igreja que procurou tornar-se rica em bens materiais e fechou-se enquanto multidões de miseráveis se multiplicavam em todo o mundo. Denunciam governos autoritários e omissos que ampliaram a desigualdade entre ricos e pobres e avolumaram patrimônios pessoais incompatíveis com seus ganhos regulares.

Esta Semana Santa em meio a pandemia da Covid-19, o Papa Francisco utiliza como tempo de intensa reflexão e de conversas por meio de aparatos tecnológicos com os católicos de todo o mundo. Em entrevista divulgada há dois dias pelo Vatican News, observou: “Esta crise nos toca a todos: ricos e pobres”. E afirma “é um apelo à atenção contra a hipocrisia. Preocupa-me a hipocrisia de alguns políticos que dizem que querem enfrentar a crise, que falam da fome no mundo, enquanto fabricam armas. É o momento de nos convertermos desta hipocrisia em ação. Este é um tempo de coerência. Ou sejamos coerentes ou perdemos tudo”.

Para o papa, as pessoas que ficaram e ficarão pobres por causa da crise do novo coronavirus são os despojados de hoje que se somam aos despojados de sempre, homens e mulheres que carregam a condição de “despojado” como estado civil. “Aos que perderam tudo ou estão perdendo tudo. Qual é o sentido para mim, hoje, o perder tudo à luz do Evangelho? Entrar no mundo dos “despojados”, entender que os que antes tinham agora não têm mais. O que peço às pessoas é para que cuidem dos idosos e dos jovens. Cuidem da história. Cuidem destes despojados”.

Neste dia consagrado pelos católicos, uma população estimada em 1 bilhão e 300 milhões (dados de 2018 do Escritório Central de Estatística da Igreja Católica) e por outros cristãos, o pensamento é vencer a hipocrisia que comanda muitos governos e acolher os despojados de cada cidade, de cada lugarejo a fim de o ato pela salvação de vidas seja mais firme que o de, isoladamente, salvar economia.


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