Sábado, 04 de Julho de 2020
Editorial

Resposta aos crimes ambientais


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06/06/2020 às 10:00

Uma resposta coordenada dos órgãos ambientais do Amazonas não poderia mais ser adiada. O lançamento do novo Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas do Amazonas (PPCDQ-AM), anunciado ontem, é uma resposta ao inaceitável avanço de crimes ambientais que vem sendo perpetrados ao longo deste ano, e que ganharam força com a pandemia do novo coronavírus. Com boa parte da estrutura estatal concentrada no enfrentamento da covid-19, criminosos aproveitaram para promover a devastação desenfreada no Estado. Basta lembrar que, nesta semana, a Operação Flora Amazônica – realizada pelas polícias civil e militar - desarticulou uma quadrilha que atuava no desmate e comércio ilegal de madeira no Estado, chegando a derrubar mais de nove mil árvores centenárias.

Providências mais rígidas se faziam necessárias diante dos fatos. Os alertas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revelam números alarmantes, como a derrubada de 6,3 mil quilômetros de floresta em apenas dez meses. Isso equivale a mais da metade da área da cidade de Manaus. É como se a capital do Amazonas fosse uma floresta, e mais da metade da sua área fosse devastada em dez meses. Desmatadores demonstram, neste ano, um ímpeto ainda maior que o visto no ano passado, quando houve recorde de desmatamento, culminando com as queimadas que atraíram a atenção do mundo para a Amazônia, causando reações descabidas do governo brasileiro, que preferiu minimizar o problema.

E aqui é importante fazer um adendo, a ação criminosa de desmatadores ilegais mancha todo o trabalho desenvolvido por empresários sérios e responsáveis que atuam no setor, fazendo um esforço louvável para mostrar que o equilíbrio é possível, que é perfeitamente viável realizar  o manejo florestal sustentável, que a geração de valor sem comprometer a capacidade de regeneração da floresta e respeitando as áreas protegidas.

A ação do Estado precisa recair sobre os criminosos para mostrar também que vale a pena agir dentro da legalidade. O PPCDQ-AM vai orientar a atuação dos órgãos ambientais do Estado no biênio de 2020-2022. A meta do programa é reduzir os índices de desmatamento do Amazonas em 15% neste período, em relação ao ano de 2019. 


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