Sábado, 05 de Dezembro de 2020
Editorial

Pensar a cidade é a missão


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24/10/2020 às 08:52

O comemorar nascimento de uma cidade deveria ser parte naturalizada de posicionamento amplo, geral e irrestrito capaz de estabelecer as áreas críticas, as em boa funcionalidade e projetá-la para o futuro desejado pelo conjunto da população do lugar. Não para poucos. Manaus, a aniversariante deste sábado, chega aos 351 anos clamando por esta postura, ser cidade-expressão do bom compartilhamento dos bens públicos e da permanente vontade política de fazê-la socialmente justa e ecologicamente sustentável.

Com 2.218.580 habitantes (IBGE/2020), Manaus não é um dos lugares pobres do Brasil, ao contrário possui forte circulação de recursos financeiros e está entre as demais maiores economias do País. O que a faz problemática é a aguda concentração de renda nas mãos de poucas pessoas cuja moradia se divide entre poucos dias na cidade, residindo em lugares privilegiados, e, na maior parte do tempo, em outros lugares do Brasil ou do exterior. Manaus é entendida como o meio de ganhar dinheiro.

Os que vivem o dia a dia da cidade sabem o que significa o ir e vir quer como motoristas ao lidar com um sistema de trânsito violento, desrespeitador em todos os sentidos, quer como usuários de transporte coletivo ou pedestre. É um dos lugares com a menor extensão de calçadas e de espaços de circulação a pessoas com deficiência, idosos, gestantes. Os cadeirantes são praticamente banidos da maioria dos lugares de Manaus porque não há como se locomoverem nas ruas e calçadas. Situação que já deveria ter sido superada.

Quando se aciona o item arborização, a cidade apresentada ao mundo como coração da Amazônia, maior floresta tropical do planeta, está bem distante de ser classificada com boa ou média condição. A parcela de empreendimentos construídos e em andamento no município se caracteriza pelo descompromisso e desapego à arborização e investe nas estruturas de concreto, asfalto, prédios cada vez mais altos e nega os espaços-refúgio tão fundamentais para o viver nela.

No item trabalho e rendimento, a desigualdade econômica e social é evidenciada. De acordo com projeções do IBGE, 37,9% da população da capital amazonense vivem com renda mensal nominal per capita de até ½ salário mínimo. Quando comparada a outras cidades, aparece no 134 lugar nessa área e, no de população ocupada, no 942 posto. Manaus pede mais atenção aos povos que nela moram e ao meio ambiente no qual está inserida para superar problemas graves e se aproximar de uma cidade ecológica e socialmente sustentável.             


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