Quarta-feira, 21 de Outubro de 2020
Editorial

Penalizar a indústria é dar tiro no pé


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23/09/2020 às 08:35

O governo brasileiro corre contra o tempo para desconstruir a imagem antiecológica que cultivou com esmero desde os primeiros momentos da atual gestão. O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, é o encarregado de estabelecer uma estratégia factível que proporcione bons resultados no curto prazo e mude a percepção internacional a respeito do compromisso do País com o meio ambiente, principalmente com a Amazônia. Mas para isso é preciso dinheiro para financiar os projetos e ações, além de parcerias estratégicas, inclusive com o terceiro setor. A esse respeito, um passo muito importante já foi dado quando o governo parou de demonizar as ONGs e as percebeu como atores que podem ser valiosos aliados no desafio que é promover o desenvolvimento sustentável na região.

A carência de recursos se apresenta como um sério obstáculo, principalmente depois que fundos europeus suspenderam repasses para a preservação no Brasil diante dos índices crescentes de desmatamento e das posturas contraditórias do governo brasileiro. A missão de Mourão é encontrar alternativas inteligentes e viáveis para captar recursos em face da desconfiança internacional.

Onerar as operações das empresas instaladas na Zona Franca de Manaus não é uma coisa nem outra. Fazer a indústria local pagar uma conta criada por ele mesmo, retirando recursos diretamente do faturamento do setor, terá duas consequências danosas. A primeira delas será a imediata perda de competitividade das empresas, o que vai dificultar a vida das fábricas já instaladas e fazer aquelas interessadas em vir para o Amazonas pensar duas vezes. Isso no momento em que grandes investidores reavaliam seus negócios para se ajustar ao novo panorama econômico mundial que se desenha em função da pandemia. No momento em que o Brasil e o Amazonas precisam gerar empregos e atrair investimentos, reduzir a competitividade da Zona Franca é um tiro no pé. 

A outra consequência é a pressão que o enfraquecimento da indústria local pode causar sobre a devastação da floresta. Os efeitos positivos da ZFM na manutenção da cobertura vegetal do Estado, ainda que de forma indireta, já foram demonstrados por vários estudos. O País precisa de recursos para financiar a política ambiental, mas a Zona Franca não pode ser penalizada.
 


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