Segunda-feira, 17 de Fevereiro de 2020
Editorial

Os projetos para a Amazônia


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24/01/2020 às 06:58

Os conselhos, os projetos e a ação de forças especiais historicamente criados por governos federais para cuidar da Amazônia têm tido desempenho desastrosos.  Não conseguem cuidar e o manejo de alguns desses instrumentos contribuíram ainda mais para aprofundar as relações de violência no interior da região. As tentativas feitas há alguns séculos carregam em si a ideia de um lugar a ser domesticado e ser controlado por armas e pelotões humanos.

Desvinculadas das realidades amazônicas, essas ações chegam sob o barulho ensurdecedor de soluções completas para, em seguida, repetirem exercícios que não saem do lugar. Um dos mais recentes nessa direção, o Projeto Calha Norte, estava comprometido em assegurar a soberania brasileira na Amazônia e criar uma estrutura que melhorasse a qualidade de vida dos amazônidas que vivem nessas localidades. Não conseguiu. Ao contrário, uma sucessão de procedimentos errados provocou inúmeros conflitos e denúncias de maus-tratos, de assédio moral e sexual entre outros episódios tristes.

Ao governo brasileiro cabe a responsabilidade de agir na Amazônia com respeito aquilo que essa região é, diversa e estratégica. A lógica que funciona e oferece boas respostas em outros lugares não pode ser aplicada da mesma forma na Amazônia. Essa lição tem sido ignorada, talvez, por isso, as operações destinadas à região não consigam alcançar o êxito desejado, promover desenvolvimento socioeconômico justo, e oferecer condições efetivas para que os povos amazônicos tenham direito de viver as suas culturas e estas sejam percebidas como uma das feições de riqueza do País.

O espaço entre as propostas governamentais de intervenção na Amazônia  periodicamente feitas e a infraestrutura para realiza-las é imenso. Militares e outros profissionais acionados para compor os grupos de trabalho, sob a promessa de que irão dispor de equipamentos adequados e recursos financeiros, se deparam também numa condição de abandono. As estruturas existentes estão corroídas e reclamam a atenção governamental para retomar um processo de revitalização delas.

A Amazônia não é o lugar problema do fim do mundo, como prevalece no entendimento governamental. O interesse que a região provoca secularmente em todo o mundo comprova a importância desse lugar. Lamentavelmente, o Brasil a trata como obstáculo a ser superado, na perspectiva de um governo com apoio de fortes setores econômicos que a querem transformar em outra coisa onde será mais uma grande área destruída para gerar lucros fabulosos, com populações vivendo em nível de pobreza e miséria elevados.     
 


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