Quinta-feira, 09 de Abril de 2020
Editorial

Mulheres e política de desenvolvimento


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26/01/2020 às 03:22

A penúltima semana de janeiro encerrou com a divulgação de documentos que pedem a atenção dos governos e das instituições interessados em agir pelo menos em duas frentes: prevenir a ocorrência de situações mais trágicas e enfrentar a crítica condição a que estão sendo submetidas as mulheres, de diferente faixa etária, em todo o mundo. O Brasil aparece com destaque nesses estudos por ter aprofundado a desigualdade e reforçado a concentração de riqueza nas mãos de poucos.

O fato de o País ter uma população de mulheres que cada vez mais assume a chefia das famílias é outro dado que pede atenção para os que têm a responsabilidade de planejar as ações de desenvolvimento dentro das instâncias governamentais e na relação destas com os setores produtivos da sociedade. Uma proposta de desenvolvimento nacional que não considere a presença da mulher e as responsabilidades por ela assumidas, o efeito da precarização na vida dessa mulher, poderá ter êxito como um negócio em que alguns terão lucro, mas não como base de promoção do desenvolvimento econômico e social de um país, de um Estado, de uma cidade.

As mulheres brasileiras vivem hoje, na maior parte desse segmento, uma agonia diária. São convocadas a se multiplicarem em vários papeis, a conseguir renda para alimentar seus dependentes enquanto engrossam o exército do emprego informal. Não têm condições de cuidar da saúde, não dispõem de serviços de apoio que funcionem eficientemente, como creches; não tem seus direitos respeitados. Se entram em licença maternidade, são demitidas pouco tempo após retornarem ao trabalho, o que representa um andar para trás no Brasil.

E há o contexto da violência com que essa mulher é tratada, a violência doméstica e a institucional. Como um ser humano pode viver dessa maneira? Os indicadores mostram que está sendo arrancado das mulheres o direito à vida, à sanidade. E de novo, o Brasil está no topo da lista dos lugares mais perigosos do mundo para uma mulher viver. O que será feito diante desse quadro e por quem será feito? Até agora, os números são tratados de forma isolada e seus efeitos minimizados como se esses milhares de mulheres fossem invisíveis ou não carregassem valor importante para que os planejadores públicos se sintam obrigados a perceber e agir.


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