Domingo, 23 de Janeiro de 2022
Editorial

Militarizar nunca foi a solução


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24/11/2021 às 08:42

Nos últimos 12 anos, a Floresta Amazônica perdeu uma área maior que a cidade de Manaus. Foram mais de 13,2 mil quilômetros quadrados de área desmatada no período. O encolhimento da cobertura vegetal é uma realidade. Argumentar que a área destruída ainda é pequena em relação ao total é relativizar de maneira perigosa.

Nos últimos meses, as Forças Armadas foram usadas como reforço no combate ao desmatamento ilegal e na prevenção às queimadas. Embora as operações militares não tenham evitado a alta no desmatamento, é possível que o passivo ambiental fosse ainda maior sem elas.

Porém, o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, expõe o óbvio ao afirmar que as Forças Armadas não são agências de fiscalização e que a alta no desmatamento se deve a uma falta de integração entre os órgãos ambientais: Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Mas é preciso levar em conta o processo de enfraquecimento que acomete tais instituições nos últimos anos, notadamente desde 2019. Especialistas apontam problemas estruturais, como escasses de recursos e insuficiência de pessoal e de equipamentos como grandes obstáculos no combate ao desmatamento e aos focos de queimadas. Além disso, o custo de levar as tropas para a floresta é muito maior que o próprio orçamento do Ibama, por exemplo.

Um gasto mais racional e estratégico seria dotar Ibama e ICM-Bio das condições necessárias para atuar de maneira adequada. Militarizar a gestão ambiental não é a solução.

Ressalte-se que o Brasil acaba de assumir compromissos de relevo na 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP-26) realizada recentemente na Escócia.

O País se comprometeu em zerar o desmatamento ilegal até 2028 e cortar em 50% as emissões de gases poluentes até 2030, o que foi recebido com esperado ceticismo por lideranças indígenas e ambientalistas. É fato que tais metas só podem ser alcançadas mediante fortalecimento e reestruturação dos órgãos ambientais.

O País não pode perder tempo procurando culpados. É preciso agir, transformar o discurso em ações concretas, fortalecer as instituições e zelar pelo rígido cumprimento da lei.


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