Terça-feira, 22 de Setembro de 2020
Editorial

Juros baixos para quem?


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06/08/2020 às 08:21

O Banco Central cortou pela nona vez consecutiva a taxa básica de juros da economia, a Selic, reduzindo-a  ao menor patamar da história, apenas 2% ao ano. Oficialmente, a estratégia tem como objetivo estimular a economia desonerando o crédito para os consumidores e também para as empresas, sobretudo as micro e pequenas, mais duramente atingidas pela crise causada pela pandemia. Extraoficialmente, a redução na Selic beneficia o governo federal, pois diminiu o custo da dívida pública brasileira. De fato, o governo vem aproveitando que a inflação está controlada para reduzir a Selic e impactar na própria dívida. Não deixa de ser positivo para o País. Por outro lado, a queda na taxa não tem se refletido até agora em juros menores para o consumidor comum, muito menos para os pequenos negócios. 

Alardeada como medida para promoção da retomada econômica, o corte na Selic não precisa ser obrigatoriamente seguido pelos bancos na redução das taxas praticadas na concessão de empréstimos e financiamentos. E é o que vem ocorrendo; os agentes financeiros se beneficiam da Selic menor, mas não repassam esse benefício em proporção razoável aos tomadores de crédito. É verdade que houve leve queda nos juros médios dos produtos bancários, mas muito aquém dos cortes que o Banco Central vem promovendo há nove reuniões consecutivas. Em junho, a taxa do crédito pessoal (não consignado) chegou a 79,6% ao ano. A taxa do cheque especial chegou segue acima dos 110% ao ano. E os juros médios do rotativo do cartão de crédito chegam a 300,3% ao ano. 

Em plena pandemia, com pessoas físicas e jurídicas precisando acessar linhas de crédito para sobreviver, o Brasil segue na lista dos dez países com maiores juros reais do mundo, ocupando a nona posição. Por enquanto, reduzir a Selic tem beneficiado mais os bancos e o próprio governo. Enquanto isso, a mortalidade de empresas segue em alta. Só no Amazonas, a Junta Comercial do Estado (Jucea) registrou o fechamento de 1.349 empresas no primeiro semestre. Em todo o País, quase 40% das empresas paralisadas em função da pandemia acabaram fechando as portas permanentemente. É urgente que o governo encontre formas de fazer a queda dos juros chegar a quem precisa, sem intervir no mercado, o que exige uma dose de articulação que ainda não apareceu nessa gestão.  
 


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