Sábado, 08 de Maio de 2021
Editorial

Hora de novo rumo na questão ambiental


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21/04/2021 às 00:20

O setor de turismo tem sido um dos mais afetados pela pandemia de covid-19 no mundo. No Brasil não tem sido diferente. Dados da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo revelam que o setor perdeu dois terços do faturamento no ano passado, tendência que deve persistir neste ano, considerando o agravamento da crise sanitária. Nesse quadro, o setor ocupa posição de destaque entre tantos outros que terão que se reinventar para sobreviver. No caso específico do Amazonas, a situação não chega a ser tão dramática porque o turismo, a despeito do gigantesco potencial natural da região, nunca chegou a ter peso relevante na composição do PIB estadual. 

Esta, porém, pode ser uma oportunidade ímpar para o desenvolvimento do turismo de natureza - aquele mais diretamente relacionado aos dotes naturais do Estado -  que, desde sempre, tem sido mal explorado. No novo turismo que vai emergir da crise, o Amazonas pode despontar com vantagens significativas. 

Planejar é preciso, e com máxima urgência. A rede hoteleira que se instalou em Manaus na última década, apostando suas fichas no turismo de negócios proporcionado pela Zona Franca de Manaus, corre contra o tempo para evitar a obsolescência. Uma alternativa é exatamente o turismo de natureza a partir de Manaus. A capital pode se tornar o "hub" desse turismo em nível regional. Daqui, os turistas partiriam para pacotes específicos nos arredores de Manaus e no interior. Atividades seguras, ao ar livre, sem aglomerações. 

Mas, até esse cenário perfeito, resta um longo e pedregoso caminho. Um dos obstáculos depende de uma "virada de chave" por parte do governo federal, que precisa colocar a preservação ambiental como prioridade, estabelecendo e cumprindo metas de combate ao desmatamento e às queimadas. Óbvio que isso seria uma façanha e tanto para o governo Bolsonaro, em face da desconfiança geral, causada, diga-se, pelo próprio governo. Outro desafio, este ainda mais urgente, reside na própria superação do novo coronavírus, que teve na Amazônia o berço de uma de suas variantes mais letais. Um passo importante pode ser dado durante a Conferência do Clima, em novembro, na Escócia, quando as nações terão a chance de assumir compromissos robustos com a questão ambiental. Na próxima sexta-feira, o presidente Bolsonaro terá a chance de indicar, em Manaus, qual será a posição  do Brasil.


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