Sexta-feira, 07 de Agosto de 2020
Editorial

Falta de humanidade


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04/07/2020 às 08:55

Juliana, uma jovem de 21 anos, veio de uma comunidade rural no interior do Pará para fazer faculdade em Manaus. De família humilde, ela tinha expectativa de conseguir um emprego para custear os estudos na capital, mas foi surpreendida pela pandemia do novo coronavírus. Ficou presa na cidade, sem faculdade e sem trabalho. Os R$ 600 do programa de auxílio emergencial do governo federal ajudariam a abrandar as dificuldades enfrentadas pela jovem. Mas o auxílio nunca veio. Assim como Juliana, milhões de pessoas que se enquadravam no perfil-alvo do programa – autônomos e desempregados, entre outros, que ficaram sem renda no período de isolamento – não viram a cor do dinheiro e ainda enfrentam dificuldades muito sérias para sobreviver.

Causa revolta saber que, enquanto milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade sofrem com a falta absoluta de recursos, outros, que não se enquadram nos requisitos do programa, se apropriam da verba que poderia amenizar o sofrimento de quem realmente precisa. Servidores públicos de vários municípios do Amazonas, devidamente remunerados, não tiveram nenhum constrangimento em ficar com o dinheiro destinado a famílias carentes atingidas pela pandemia.

O problema, é claro, não se restringe ao Amazonas. Em todo o País há casos escandalosos de cidadãos em situação financeira confortável – inclusive empresários e funcionários públicos – que foram beneficiados indevidamente com o auxílio emergencial. Cabe ressaltar que nem todos os 12 mil servidores públicos municipais agiram de má-fé. Isso porque, para alguns, o crédito foi feito de maneira automática, sem que o servidor tenha solicitado. O acréscimo do valor na conta pode nem ter sido percebido em muitos casos, o que não exime o funcionário público da obrigação de devolver os recursos assim que o equívoco tenha sido notado.

Há também os que, recebendo o dinheiro, mesmo sem tê-lo solicitado, não viram problema em ficar com o valor, sem se importar se faltaria para alguém realmente necessitado. Vivemos uma pandemia de egocentrismo e falta de empatia. A antiga máxima de que “o mundo é dos espertos” é uma louvação à falta de caráter e resume uma tragédia dentro da tragédia. Que esse crime não fique impune e que os culpados paguem por sua falta de humanidade.


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