Quinta-feira, 02 de Abril de 2020
Editorial

Endividamento preocupante


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10/02/2020 às 08:23

Apesar da leve queda em janeiro, o índice de endividamento das famílias brasileiras é extremamente preocupante. Mais de 65% dos brasileiros estão endividados, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Apesar da leve queda em janeiro na comparação com dezembro - saiu de 65,6% para 65,3% - o índice é muito elevado e deve acender o sinal amarelo para a economia em 2020. Isso porque, quanto maior o número de endividados, menor o índice de pessoas aptas ao consumo de bens duráveis, por exemplo. Para efeitos da pesquisa, consideram-se endividados os consumidores com dívidas vencidas há mais de três meses.

A preocupação fica maior quando se considera o cenário que se desenha na economia, com queda de juros e consequente ampliação na oferta de crédito. Um eventual aumento no nível de endividamento pode até mesmo comprometer a recuperação da economia que segue a passos lentos. O Banco Central está atento a isso, e desde o ano passado, vem sugerindo ao governo a adoção de ações contra o endividamento das famílias.

É necessário que os juros caiam para estimular a economia; mas tão importante quanto é a redução do endividamento e o consumo responsável por parte da população.

Especialistas apontam a educação financeira como uma das armas mais poderosas, não só contra o endividamento, mas em relação a todo o gerenciamento de finanças pessoais. O tema, que já é foco de disciplinas escolares em diversos países, ainda é raro nas salas de aula do País. Ainda mais importante seria a orientação promovida pelos pais, o que acontece com ainda mais raridade pela falta de preparo revelada pela pesquisa da CNC. 

Mas essas medidas educacionais só teriam efeito prático no longo prazo. Por enquanto, sem uma postura de consumo responsável por parte de uma parcela significativa dos consumidores, resta aos bancos, ao governo, aos varejistas e aos prestadores de serviços  adotar providências para selecionar com inteligência os clientes e tomadores de crédito, além de criar mecanismos para se antecipar à inadimplência, abrindo canais de diálogo eficazes para tomar a iniciativa de promover a renegociação das pendências.


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