Sábado, 08 de Maio de 2021
Editorial

Crianças em condições de ameaça


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16/04/2021 às 07:26

O número expressivo de crianças e adolescentes em situação de mendicância nas ruas de Manaus não pode continuar a ser ignorado pelo governo municipal e organizações que respondem pela vigilância e defesa dos direitos a essas pessoas e para elaborar e executar políticas públicas.

É possível que ainda hoje se repita uma conduta indevida no tratamento desse fato, essas não são nossas crianças. Se esse pensamento permanece, a situação é bem mais grave porque usa a omissão humana para justificar a violência cometida contra elas. São crianças do Amazonas ou de qualquer outro lugar que vivem em Manaus e aqui estão entregues a todo tipo de experiência que o meio urbano propicia. A multiplicação delas nesse ambiente chama atenção e pede providências.

Conviver com o contingente infanto-juvenil perambulando entre praças e sinais e considerar normal tal convivência demonstra a anomalia da sociedade e do próprio governo. Há um discurso pronto que aponta para a pandemia da Covid-19 como principal causadora da situação. Sim, o quadro pandêmico agravou as condições de vida dessas crianças e de suas famílias, no entanto o dado não pode ser usado para justificar a aparente ausência de tomada de providências reais que tenham o compromisso de salvaguardar a integridade desses meninos e meninas.

As cenas são cotidianas e se não percebidas até quando eles ficam nas janelas dos carros ou fazem performances é porque a insensibilidade ganhou mais espaço e acomoda o que não pode ser acomodado. Cabe à sociedade e, por responsabilidade constitucional, ao governo colocar os representantes dos organismos que atuam com crianças e adolescentes para agir e buscar alternativas. Pior será lidar com situações mais drásticas envolvendo essas pessoas.

As forças vivas da cidade de Manaus têm condições, se mobilizadas por uma campanha bem planejada e onde todos os segmentos cumpram com sua parte, de assegurar a essas crianças melhores condições de vida, retirando-as das ruas, garantindo-lhes refeições, higiene e proteção básica.  O que ora acontece afetará a vida desses meninos e meninas que estão sendo cerceados do direito de viver a infância de forma humanizada, de brincar, estudar, se alimentar. Esse é direito universal e está além da ideia de que algumas crianças podem ter toda a assistência enquanto a maioria delas vive sob a bandeira do abandono.

 


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