Terça-feira, 20 de Outubro de 2020
Editorial

Bancos precisam se mancar


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21/09/2020 às 08:24

Com a economia ainda em recessão e muitos setores tateando o mercado para ensaiar uma retomada em meio a um cenário marcado por incertezas, as empresas hesitam em contratar funcionários, isso quando não optam pela redução de quadro. Outras aderiram à redução de jornadas e salários. A queda na renda dos brasileiros foi inevitável, assim como a inadimplência. 

Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostram que, em agosto, 67,5% das famílias brasileiras estavam endividadas (com atraso ou não) ou inadimplentes – com contas em atraso. O dado é alarmante e exige providências urgentes, já que o endividamento trava o reaquecimento da economia. Tantos consumidores endividados significam menos pessoas aptas ao consumo no momento em que o País precisa fazer girar a roda da economia com mais velocidade. 

Cabe aos grandes credores – varejistas, bancos e concessionárias de serviços como água e energia – encontrar formas de racionalizar esse panorama. E todas as fórmulas possíveis passam pela renegociação. Nessa estratégia, as empresas brasileiras precisam abandonar a lógica danosa da negociação ganha-perde, onde o que vale é obter a melhor vantagem a qualquer custo sobre o cliente. É perfeitamente possível estabelecer negociações em que as duas partes saem ganhando. 

A cúpula da Caixa Econômica Federal parece ter compreendido isso e lançou sua campanha de renegociação de dívidas, que seguirá até o final do ano com descontos de até 90%. Com a ação, o banco mira os 522 mil clientes com débitos em aberto no Amazonas. Este é um dos benefícios de se ter grandes bancos públicos no mercado. Em momentos de dificuldade como esse, essas instituições podem estabelecer parâmetros para todo o segmento. A expectativa é que a iniciativa seja seguida pelos demais bancos, que até mantém programas de recuperação de crédito, mas com condições extremamente questionáveis do ponto de vista do consumidor. 

Algumas instituições adotam até uma absurda “taxa de negociação” para iniciar conversas com o cliente. Outra prática comum acontece quando o cliente renegocia a dívida e paga as primeiras parcelas; caso atrase um pagamento, o valor pago até então é ignorado, e a dívida volta aos valores iniciais. Iniciativas assim apenas contribuem para o aumento da inadimplência. Os bancos precisam se mancar.
 


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