Sexta-feira, 17 de Janeiro de 2020
Editorial

A confusão dos números


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04/12/2019 às 07:33

Alguns números do mundo econômico animam o cenário brasileiro para, em confronto com outra realidade, produzir muita confusão na cabeça do consumidor mais atento ao que é dito por analistas e repassado ao público pela mídia. Entre os números positivos sobre a inflação, o aquecimento dos setores comercial e de serviços, e as condições de vida da maioria das famílias os indicadores não batem, confrontam-se.

E podem gerar conflitos e equívocos que tendem a ser usados para encobrir uma outra face da vida nacional, aquela mais precarizada que empurra milhares de pessoas a uma situação de profunda vulnerabilidade. São mais de 13 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza e uma faixa crescente da informalidade funcionando nesse momento como escudo para dizer que as coisas andam bem. Não é animador, mesmo que economistas apontem para o aquecimento da economia brasileira, o que sobra é uma interrogação que está difícil de ser respondida, se houver responsabilidade.

Não se trata de negar os bons resultados em determinados setores, mas de ressalvar que esse desempenho não pôs fim a instabilidade econômica. Quando se incluir a massa de desempregado e de trabalhadores informais as respostas pedem atenção para que possam ser desenvolvidas ações de inclusão na atividade econômica de milhares de pessoas. 

Para completar, empresários brasileiros que exportavam para o mercado norte-americano acabam de sofrer um golpe com a decisão do governo estadunidense que mudou a política interna e promoveu retaliações com a edição de sobretaxas sob a alegação de que precisava proteger os produtores dos EUA.  O efeito da medida do governo dos EUA é profundamente prejudicial ao Brasil cuja situação já está difícil. 

Um outro aspecto é a necessidade de mapear bem as áreas onde os efeitos da crise econômica são mais profundos. Conhecer esse aspecto pode gerar medidas que aumentem a gestão governamental junto a esses lugares e proporcionem reais medidas para que seja superado esse tipo de estágio. Os Brasis dentro do Brasil não são uma ficção, ao contrário, denunciam todos os dias a realidade em que vivem. Daí a importância de descentralizar as ações que, em geral, acabam por incentivar a manutenção desse quadro socioeconômico assimétrico.


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