Terça-feira, 20 de Outubro de 2020
Servidores municipais

Troca da Manausmed por plano de saúde causa dúvida

Sindicatos dos professores e associação de servidores do Município de Manaus têm posições diferentes sobre a proposta



manausmed_8B36FD3D-9EB2-4D4E-A5CF-845837262427.JPG Vereador Elias Emanuel afirmou que a prefeitura vai lançar licitação para contratação de um "plano médico" e que haverá uma mudança no Funserv que paga os prestadores de serviço da Manausmed. Foto: Divulgação
22/09/2020 às 07:43

A possível substituição do Serviço de Assistência aos Servidores Públicos do Município de Manaus (Manausmed) por um plano de saúde, conforme discutido ontem na Câmara Municipal de Manaus (CMM) provocou reações diferentes das entidades que representam os servidores municipais. O Sinteam criticou o órgão municipal e disse que se a licitação for séria e os serviços de qualidade não se apõe a mudança. A Asemm disse que a troca, sem informação, preocupa a categoria. Já a Asprom se posicionou contra a substituição.

Ontem, os vereadores Hiram Nicolau (PSD) e Elias Emanuel (PSDB) debateram a viabilidade da proposta. Nicolau, cuja família é dona da Samel,  denunciou que numa possível abertura de edital de licitação para contratar um plano de saúde “saberemos quem deve ganhar” e ao ser provocado por colegas a falar qual empresa médica seria a vencedora, o vereador disse que seria a “Hapvida”.



Licitação

Elias Emanuel reconheceu que a gestão do prefeito Artur Neto (PSDB) vai lançar uma licitação para contratação de um "plano médico" e que haverá uma mudança no Funserv que paga os prestadores de serviço da Manausmed, mas o vereador não soube especificar qual mudança será implementada.

"A gente tem que jogar a realidade dos fatos. A Manausmed não atende a expectativa dos servidores da prefeitura, o tempo médio de espera de um exame da Manausmed é de 90 dias. A expectativa do prefeito é que com contratação de um plano de saúde esse tempo de espera reduza para 7 dias”, garantiu.

Emmanuel ponderou que ao contratar um plano de saúde a prefeitura de Manaus vai exigir “capacidade técnica e qualidade” na prestação do serviço para “42 mil vidas”, sendo 28 mil servidores e 14 mil dependentes.

Segundo o vereador, a principal mudança que vai ocorrer será no fundo pagador e “não da extinção completa da Manausmed. O vereador tucano acentuou que o secretário de administração garantiu que todos servidores da Manausmed “serão mantidos”.

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas (Sinteam), Ana Cristina, disse que se for aberta licitação para contratar uma empresa de plano de saúde “séria”, o Sinteam não se opõe à mudança.

Ana Cristina comentou que atualmente o espaçamento entre as consultas está muito longo e que a contratação deve ser acompanhada por uma “fiscalização” da CMM que vai discutir a matéria e da prefeitura que realizará a licitação.

Precisa melhorar

“Como se trata de licitação tem que se observar todos os pontos. É preciso verificar se a Hapvida consegue atender todos os trabalhadores da prefeitura. Hoje ela atende de uma forma boa os trabalhadores do Estado que são da Secretaria estadual de Educação, mas ela precisa melhorar em alguns pontos. Se ela provar que consegue atender esses trabalhadores de forma segura e eficaz, aí não vejo nada de ruim nisso”, disse.

O presidente da Asemm (Associação dos Servidores Efetivos do Município de Manaus), João Rufino, disse que foi pego de surpresa pelo anúncio de substituição do Manausmed por um plano de saúde e que até agora ninguém sabe ou foi avisado do teor.

Blog: Ana Cristina, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Amazonas (Sinteam)

“A Manausmed  já atende os   trabalhadores do município de Manaus há muito tempo e há mais ou menos um ano ela vem falhando no seu atendimento. Algumas vezes ela não tem pronto socorro, não tem maternidade e atualmente está um pouco pior porque não existe mais oferta de pronto socorro adulto ou infantil para os seus segurados e nem maternidade para os segurados que precisarem desses serviços. As consultas eletivas que já tinham um número reduzido por ano, agora você não consegue marcar no momento que você estiver precisando. Aí você vai ter que concorrer com as pessoas na fila por uma consulta num prazo de três meses. Algo que é muito ruim, pois no nosso caso, os trabalhadores só procuram o atendimento quando já estão com a enfermidade. E nesse cenário que não existe um pronto-socorro ou uma consulta é complicado. Chegamos a pedir da Manausmed  esclarecimento sobre essa possível mudança, ainda vamos pedir aos vereadores para que mantenham a fiscalização e que possamos estar participando das discussões para se estabelecer quais serão os termos dessa proposta”.

Para ele, a mudança é mais preocupante ainda porque os trabalhadores municipais pagam 3% de contribuição retirado do salário ao fundo do Manausmed.

“O Manausmed é mantido pelas contribuições dos servidores e pela contribuição da prefeitura. Então, pelo o que entendi se for feito uma licitação, não sei se a prefeitura vai continuar aportando recursos para o plano de saúde. É preocupante porque ninguém sabe, ninguém foi avisado ou comunicado como isso vai acontecer”, disse.

Coordenador de comunicação da Asprom, Lambert Melo disse que a entidade é contra a extinção do Manausmed. “Entendemos que o Manausmed é uma conquista da categoria dos servidores públicos municipais, apesar de que ele substituiu o nosso antigo Instituto Municipal de Saúde que atendia aos servidores e que era gratuito  para todos os servidores. Mas o Manausmed, apesar de ser um instituto, onde o servidor contribui com uma parcela do seu salário, ainda é algo muito melhor do que um plano de saúde”.

Serviço não será extinto, diz Semcom

Procurada por A CRÍTICA, a Prefeitura de Manaus assegurou que o Serviço de Assistência aos Servidores Públicos do Município de Manaus (Manausmed) não será extinto.

Disse que atualmente, o município realiza um estudo de redirecionamento que visa alterar a condição atual de Serviço de Assistência para Plano de Saúde, conforme a regulamentação da Agência Nacional de Saúde (ANS), para atender aos servidores públicos municipais ativos, aposentados, pensionistas e seus dependentes legais.

Afirmou ainda que o Manausmed, que possui mais de 42 mil segurados, entre servidores e dependentes, busca dar continuidade e oferecer melhoria de assistência à saúde do servidor público municipal e seus dependentes de forma ampla, segura e eficiente, inclusive com a promoção de programas preventivos, objetivando qualidade de vida e excelência aos que servem ao município.

A reportagem perguntou ainda qual a data prevista para a realização do processo licitatório anunciado ontem na tribunal da Câmara Municipal de Manaus pelo vereador Elias Emmanuel. Mas não obteve resposta. Perguntou também se o município tem a relação de empresas que podem participar desse procedimento de escolha. O que também não foi respondido. Também não respondeu quais as empresas médicas que atualmente prestam serviços à Manausmed. Tampouco quais mudanças serão feitas no Funserv.


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