Sábado, 08 de Maio de 2021
DIGITAL

'Sim e Não' vai para o mundo digital no dia do aniversário do jornal A Crítica

Coluna de opinião e política nascida praticamente junto com o jornal, há 72 anos, terá agora um time de editores em site próprio com as principais informações dos bastidores da política



WhatsApp_Image_2021-04-18_at_21.24.56_30371B68-A2E5-4FBB-93E3-3DBAEC819251.jpeg Foto: Arlesson Sicsú
18/04/2021 às 23:11

Ao completar 72 anos de circulação, o Jornal A CRÍTICA leva para a internet a sua mais tradicional e influente editoria de opinião: a coluna SIM e NÃO, que promete continuar influenciando e refletindo o que há de mais interessante na vida política, econômica, social e no cotidiano da capital amazonense, agora, no meio digital.

No formato on-line, a coluna pretende não apenas migrar a audiência que já é característica no impresso, mas também compartilhar e oferecer aos leitores, internautas e usuários das redes sociais conteúdos e textos bem elaborados, reflexivos e que estimulem à formação de uma opinião crítica sobre os assuntos de maior destaque na vida amazonense.   



A coluna, que nasceu praticamente junto com o jornal, é o espaço editorial mais prestigiado do jornalismo amazonense. Desde as primeiras publicações, a editoria criou e estimulou o interesse público em geral, além de uma audiência setorizada às áreas de política e economia. Devido à sua autenticidade, incentivou o debate e a formação da opinião pública sobre os assuntos mais variados relacionados ao Amazonas. 

Por isso, durante vários anos a coluna SIM e NÃO foi publicada na capa do jornal, chamando a atenção logo nos primeiros momentos de leitura para os fatos mais relevantes que aconteceram no Estado, de forma rápida e concisa. Em poucas linhas, os resumos de notícias caracterizados por textos precisos e sagazes, eram capazes de medir a temperatura dos assuntos mais relevantes para a sociedade amazonense.

E quando, durante os anos de 1990, a sessão Sobe e Desce foi incorporada à coluna, as opiniões emitidas pela editoria ganharam larga repercussão. Os leitores em geral e, principalmente, os políticos, economistas e empresários da cidade não saiam de casa sem ler e saber quem eram os citados na sessão Sobe e Desce de A CRÍTICA. 

“A CRÍTICA é de uma enorme relevância ao jornalismo amazonense, ao Estado do Amazonas e a cidade de Manaus, principalmente. Durante alguns anos eu colaborei com o jornal sendo redator da coluna SIM e NÃO. Isso já lá vão mais de 40 anos. Quero dizer aqui da importância do jornal, mas particularmente do SIM e NÃO. Porque o SIM e NÃO, que desculpem os outros editores, é a vanguarda do jornal. Era há 40 anos atrás e continua sendo hoje. Mas é porque, principalmente hoje, o leitor dá preferência a uma leitura mais curta, mas breve e com uma notícia bem sintética, bem mais compacta. E, o SIM e NÃO tem essa característica. E quando eu redigia o SIM e NÃO, o seu Umberto teve a ideia de fazer o Pinga Fogo, para ser notas mais curtas, de duas ou três linhas. Várias notinhas que pudessem dar uma mensagem ao leitor bem rápida e objetiva. Parece até que ele estava antevendo o Twitter”, destacou o deputado estadual Serafim Corrêa (PSB), um dos primeiros editores da coluna. 

O jornalista Neuton Corrêa disse que, o SIM e NÃO, foi a experiência mais importante que teve, no jornalismo, em 32 anos de carreira. “Eu estava ciente de que não era uma editoria qualquer. Era uma instituição. O SIM e NÃO tinha um poder incrível. Por lá passaram pessoas muito importantes do Estado como o Fábio Lucena, Serafim Corrêa, Paulo França, Marcos Santos, Wilson Nogueira, Gerson Severo. E eu estava sucedendo a eles”, disse o jornalista.

Para Neuton, o SIM e NÃO representava para a população manauara um mosaico de assuntos e temas importantes. “Ele traduz aquilo que estava acontecendo nos bastidores da política, da economia e do poder. Quando eu fazia o SIM e NÃO eu o imaginava como uma acupuntura, que era aquele toque refinado que ia atingir o ponto mais específico da cobertura. É uma coluna de menos de meia página, com no máximo 16 notas e, dependendo da cobertura, você tem a possibilidade de abordar 16 temas. Ele virava e vira pauta, ele é um formulador de conteúdo, de pautas novas e sempre apresentando muitos temas”.
 
O jornalista se recorda de um episódio ocorrido enquanto editor da coluna. “O SIM e NÃO tinha a capacidade de derrubar secretários e incomodar o poder. Mas, de todos os fatos que ocorreram, eu recordo um que me causou muito estranhamento. Foi em novembro de 2009. Na sessão Pinga Fogo eu dei uma nota de três linhas sobre o Braguinha, secretário do então prefeito de Manaus, Amazonino Mendes. A nota dizia que ele estaria saindo da Casa Civil do município e indo para o estado, na gestão do então governador Omar Aziz. Causou estranheza porque em 1995 eu tive um problema com o Amazonino Mendes, quando ele era governador, desde lá, a gente se estranhava muito quando se encontrava, um olhando enviesado para o outro. Mas por causa dessa notinha, de três linhas fez com que o prefeito me ligasse querendo saber mais detalhes. Isso foi uma demonstração de quanto aquele espaço mínimo, de poucas palavras, conseguia incomodar muito o poder. Então, isso para mim foi um fato muito marcante”, disse Neuton. 

Outro jornalista que fez parte do seleto clã de editores do SIM e NÃO é Marcos Santos.  Ele se tornou editor da coluna em 2002, após trabalhar, diretamente, com o jornalista Umberto Calderaro Filho. “Eu comecei no SIM e NÃO por volta de 1993, fazendo notas com o jornalista Umberto Calderaro. Depois, em 2002 eu passei a editor. E naquele tempo não tinha internet como nós temos hoje e as pessoas enviavam colaborações para a coluna em papel. Chegava para a gente, na portaria do jornal ou as pessoas vinham ao jornal entregar pessoalmente. E havia dias em que o volume dessas colaborações era tão grande que falta tempo para gente trabalhar ligando para as fontes, para procurar notícias, atrás de pautas que nós provocávamos, que a coluna tinha. E, era sempre um volume muito grande de informação de que a gente dispunha para edição final. E, sempre um sufoco para fazer o corte de notícias”, disse Marcos Santos. 

Marcos também tem lembranças carinhosas sobre os parceiros que o ajudavam a fazer a coluna. “Também é um período de muitas lembranças desse grande companheiro e amigo pessoal que foi o jornalista Sebastião Reis, ex-diretor do jornal, com quem eu compartilhava tanto o SIM e NÃO quanto a primeira página do jornal”, recorda. 

PRIMEIRA MULHER

Para a jornalista Rosiene Carvalho, primeira mulher editora titular da coluna SIM e NÃO, o período em que permaneceu no cargo foi de muito aprendizado. “Eu fui editora substituta e depois titular do Sim e Não. Foi uma experiência desafiadora e de muito aprendizado para mim. Não sei se fui uma das mais jovens neste posto, mas a editora executiva do jornal disse que eu era a primeira mulher titular da coluna, obviamente fruto da trajetória de conquista de espaços de outras mulheres, naquele momento, como Ivania Vieira e Aruana Brianezi.  

Rosiene destaca o desafio que era deixar a coluna “enxuta” para que o público se informasse e tirasses duas próprias conclusões por meio de textos concisos.  “Escrever uma coluna diária com dezesseis notas de alta audiência com um texto objetivo, sem arestas e que provocasse repercussão é algo que exercita a nossa capacidade de apuração e de escrita. Aprender a lidar a repercussão do conteúdo foi outro fator importante que o Sim e Não proporcionou para mim como jornalista. Tive em tudo o apoio e a orientação do editor Neuton Correa, Ivânia Viieira, Aruana Brianezi e Aristide Furtado, além da colaboração dos colegas da redação”, destacou a jornalista.

INFORMAÇÃO É RAINHA

O jornalista André Alves também foi editor da coluna e destaca que o espaço é um meio para favorecer a necessidade de informação do leitor. “A experiência na coluna SIM&NÃO certamente foi a melhor, e de maior aprendizado, na minha carreira como jornalista. Embora seja um espaço que revela os bastidores e a temperatura do cenário político, proporciona a quem escreve um trajeto diário por diversas áreas do próprio jornalismo - cultura, esporte, economia e os problemas da cidade - o que demonstra que tudo, na verdade, está relacionado e depende da política. A responsabilidade de produzir o conteúdo diário da coluna, por outro lado, é, sem dúvida, um peso que se deve carregar com muito equilíbrio. O propósito não é favorecer fontes.  É garantir que o leitor tenha acesso à informação”. 

A coluna, segundo André Alves, é uma oportunidade de ampliar o contato do jornalista com quem tem a informação, independente da ocupação que exerce ou posição social. “O contato constante com diversos tipos de fontes, seja do Senado, Câmara Federal, Assembleia, Câmara Municipal, Governos, ou seja, o líder comunitário, sindicalista, porteiro, de certa forma é uma escola e proporciona uma visão de mundo singular”, destacou.

A experiência de editar a coluna também foi importante para o jornalista Lúcio Pinheiro. “Editar a coluna foi uma das grandes oportunidades profissionais que o jornal me deu. O espaço é até hoje um dos mais lidos e quando assumi a coluna já havia sido editada por grandes jornalistas. Então assumi com a responsabilidade de manter uma qualidade já reconhecida e buscada na coluna pelos leitores todos os dias. Com dedicação e a colaboração dos demais colegas, acredito que consegui cumprir a missão. A experiência me ajudou a desenvolver novas habilidades que sem dúvida contribuíram para minha prática diária no jornalismo. A coluna segue sendo leitura obrigatória de todos os dias de milhares de amazonenses e desejo sucesso para este novo momento”, disse o ex- editor.

TIME DE EDITORES
Com o desafio de desbravar o mundo digital e oferecer um conteúdo de qualidade e analítico sobre a vida do Amazonas, a coluna Sim&Não ganha, a partir de agora, vida própria no jornalismo digital. Vinculado ao acritica.com, o novo site reforça o formato editorial com uma identidade visual própria. E, para fundamentar o conteúdo reflexivo das publicações, um time de jornalistas de primeira irá comandar a coluna no online: Dante Graça, Luana Carvalho e Aruana Brianezi.

Para a editora Luana Carvalho, que há um ano fecha a coluna Sim&Não, é um desafio levar a coluna para o universo online.  A jornalista que começou no jornal A Crítica como repórter de Cidades, em 2013, diz que a empresa foi uma escola. Pelo jornal, Luana já cobriu uma Assembleia Geral da ONU nos Estados Unidos (Nova York). Após uma parada em 2017 para fazer intercâmbio, Luana retornou ao jornal em 2018 para editar o Caderno de Dinheiro e Últimas. “Nessas idas e vindas, entre uma saída e outra, voltei oficialmente para o grupo em 2020, quando recebi o convite da diretora de redação, Aruana Brianezi, para fechar a coluna Sim&Não. Sou grata a ela por ter me confiado essa função e me sinto honrada por ter chegado neste cargo que exige confiança e muita responsabilidade”, disse Luana.

Desafio de recomeçar

Com 20 anos de profissão, o jornalista Dante Graça atua há 10 anos no jornalismo digital. Ingressou na equipe de ACRÍTICA em 2016 e, atualmente, é o editor-chefe do Portal ACRÍTICA. Também atua como comentarista do programa da TV ACRÍTICA, Manhã no Ar. “É uma honra muito grande trazer essa coluna tão tradicional do jornalismo amazonense para o universo online. É uma prova da força do jornalismo impresso, mas que pode muito bem levar essa força para outros meios. O importante é que se faça jornalismo em todas as vertentes, em todos os seus caminhos possíveis. O que ganhamos mais com esse novo formato é o dinamismo. Acho que a gente vai conseguir dar os assuntos de uma maneira mais ampla, completa e ágil. Sem precisar esperar que vire o outro dia para noticiar as coisas. Quem gosta de acompanhar, especialmente, o cenário político, os bastidores, vai poder fazer isso de uma maneira muito legal dinâmica e precisa - e com base em jornalismo profissional”, disse Dante Graça. 

A diretora de conteúdo de A CRÍTICA, Aruana Brianezi, é cria da casa. Mesmo atuando na sucursal de Manaus da Gazeta Mercantil, sempre teve sua trajetória profissional ligada ao Grupo A Crítica. Começou como estagiária e depois atuou no extinto Jornal dos Bairros, um produto que foi descontinuado pela empresa. Logo em seguida passou a trabalhar como repórter da editoria de política, onde solidificou fontes e contatos e, em seguida, tornou-se a titular da editoria. 

“Estou meio que voltando ao começo da minha história. E para mim é interessante como o mundo gira, voltar a trabalhar com política que é uma coisa que eu sempre gostei muito enquanto repórter. Ter esse friozinho na barriga que a gente tem quando está na linha de frente. Ter esse contato com os bastidores, essa busca pela informação pública que precisa ser trazida à luz. Ela está lá, escondidinha, porque alguém esqueceu de mostrar ou porque alguém escondeu numa gaveta. Por isso, considero que editar o Sim&Não será uma tarefa muito desafiadora e eu estou muito animada”, salientou Aruana.     

Nunca parar de evoluir

Para a diretora de conteúdo, a mudança é necessária para acompanhar a evolução do jornalismo mundial. “Nesses mais de 20 anos de empresa, eu observo como A CRITICA se reinventa para seguir adiante. O produto jornal passou por muitos desafios no mundo todo. Vários jornais e revistas fecharam. A informação no papel é um tipo de canal de comunicação que vai tendo cada vez menos procura. A audiência migrou mesmo para o digital e aí o desafio das empresas é acompanhar essa nova realidade. Para um veículo que era tradicionalmente impresso, no papel, fazer essa adaptação nem sempre é fácil e nem todos conseguem. A CRÍTICA está indo em busca disso”, disse a diretora. 

A busca pela reinvenção é uma meta que sempre persistirá, segundo Aruana. Ela explica que destacar essa necessidade para continuar a existir. “Quando a gente trabalha com comunicação nunca pode achar que que achou a fórmula. Os meios mudam, a audiência muda. Então, essa constante busca por aprimoramento é importante. A gente vê nas empresas, com todos os desafios e os percalços e dificuldades, quem está no dia-a-dia da redação sabe bem que não é fácil. Mas, o nosso propósito é esse. E, a gente trabalha todo dia tentando buscar isso”, concluiu Aruana.


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