Terça-feira, 22 de Junho de 2021
VOLUNTARIADO POR GRATIDÃO

Palhaça Jujubinha pede ajuda para continuar trabalho voluntário em hospitais de Manaus

Marcilene Silva dos Santos, 39, tem o sonho te ter o próprio carrinho de churrasco para conseguir manter a personagem criada por ela que dedica horas levando alegria a crianças hospitalizadas e em abrigos de Manaus



ACE.GM-R11_5BED4FCA-A3FC-4634-A2E1-57B2B8FCDDBA.JPG Foto: Gilson Mello
16/05/2021 às 06:13

Nem mesmo as adversidades da vida como a perda de dois filhos, em dezembro do ano passado, fez com que Marcilene Silva dos Santos, 39, desistisse de dedicar horas para ajudar quem precisa. Há 12 anos, é como palhaça “Jujubinha” que ela visita hospitais e abrigos de Manaus com o intuito de levar alegria a crianças, palavras de esperança aos adultos, além de doações que ela mesma compra, embala como presente e faz a entrega que, segundo ela, é com todo o carinho.

Mas a iniciativa não surgiu por acaso. Marcilene dos Santos conta que começou a atuar como voluntária após ter passado por momentos difíceis com a filha que, na época, tinha cinco anos e estava internada em uma unidade pública de saúde da capital. Sem recursos financeiros, a jovem não tinha nem mesmo sabonete para dar banho na criança.



“Ela sofreu um acidente muito grave. Depois que ela saiu do centro cirúrgico, a enfermeira me disse que eu teria que dar banho nela antes de recebermos o médico, eu olhei para o lado e para o outro e cadê que eu tinha sabonete?”, relembra.

“Eu precisava de pelo menos um pedaço de sabão para lavar a cabeça da minha filha. Eu corri atrás disso, até que uma senhora tirou da bolsa um sabonete líquido e me deu. Aquilo ali me ajudou muito e então eu vi como o trabalho voluntário era necessário dentro de um hospital. Naquele instante, eu fiz um voto para Deus”. Marcilene dos Santos pensou como concretizaria a promessa e lembrou-se do sonho que tinha quando era criança: assistir um espetáculo de palhaços.

“Eu não ia trabalhar de qualquer jeito e aí, depois de lembrar que o meu maior sonho era assistir um show de palhaços que eu falei para Deus: vou trabalhar como palhaça!”. Para manter a iniciativa, ela precisava trabalhar e como não tinha e ainda não tem um emprego fixo, ela vendia churrasco, atuou como feirante, já vendeu bombom em transporte coletivo.

Segundo ela, a metade do dinheiro que recebe, ela utiliza para arcar com despesas de casa e a outra metade, guarda para comprar itens como fralda, pomadas, lenço umedecido, brinquedos, entre outros, para doar quando fosse aos hospitais e abrigos. Entre as unidades que ela costuma visitar estão: Instituto de Saúde da Criança do Amazonas – ICAM, Hospital e Pronto-Socorro da Criança da Zona Leste/Joãozinho, Hospital Infantil Dr. Fajardo, entre outros.


Foto: Gilson Mello/Fredelancer

“Eu vou sem rumo. Eu chego lá, peço com licença, conto sobre o meu voto com Deus e entro. Eu compro roupa, toalha, lençol, brinquedo, fralda por que tem mãe que está dentro do hospital e não tem uma toalha para se embrulhar. Eu já passei por isso e sei bem como é”, comentou. “A mãe agradece, é muito emocionante, gratificante e ainda tem mais, eu não entrego de qualquer maneira, não! Eu embalo em papel de presente e entrego com todo o carinho”. 

Hoje, o sonho de Marcilene dos Santos é comprar o próprio carrinho de churrasco para manter a palhaça “Jujubinha”. “Apesar de eu sonhar com casa própria, a minha prioridade é o meu trabalho, eu deixaria de vender bombom nos ônibus por que nem todo o motorista abre a porta.

O meu sonho é comprar um carrinho de churrasco e dar continuidade ao meu trabalho voluntário”. Ela ressalta ainda que qualquer ajuda para realizar seu sonho é bem-vinda, assim como doações de cama, guarda-roupa e outros utensílios domésticos que tem perdido por conta da cheia deste ano. As doações em dinheiro podem ser feitas via PIX através do telefone de contato: (92) 98201-9918.


Foto: Gilson Mello/Fredelancer

Subida do Rio

Além de enfrentar o luto pela morte dos dois filhos ocorrida em dezembro do ano passado, driblar a pandemia do novo coronavírus, Marcilene dos Santos precisa passar pelo período de cheia do Rio Negro. Atualmente, ela mora em área de risco, com as três filhas e a subida das águas não só dificulta a locomoção dela, como também já traz prejuízos à casa de madeira que fica em meio ao Igarapé de São Vicente no Centro de Manaus.


Foto: Gilson Mello/Fredelancer

Durante esse período o medo é constante por conta da chuva, da subida da água e consequentemente, a aparição de animais como cobra e jacaré. “Quando chove, molha tudo. A nossa cama fica encharcada. O meu guarda roupa, eu já joguei por que não prestava mais por que molhava. Então, tudo o que eu tenho foi doado", destacou. "Eu não durmo não, eu dou só um cochilo. O meu maior medo é que apareça uma cobra”.

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Repórter de Cidades
Jornalista formada pela Uninorte. Apaixonada pela linguagem radiofônica, na qual teve suas primeiras experiências, foi no impresso que encarou o desafio da prática jornalística e o amor pela escrita.

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