Sábado, 04 de Julho de 2020
MANIFESTAÇÃO

'Nossa intenção não é fazer arruaça ou prejudicar', diz organizador de protesto pró-democracia

Ato está marcado para tarde desta terça-feira (2), na avenida Djalma Batista. Grupo Amazonas pela Democracia garante que vai seguir medidas de prevenção à Covid-19



gallery_WhatsApp_Image_2018-09-29_at_17.42.37_AB8EDF27-546A-4E3F-BD34-7AF77A69367F.jpeg Foto: Arquivo/A Crítica
01/06/2020 às 17:15

O movimento Amazonas pela Democracia, que nasceu nas redes sociais, realizará um ato pró-democrático em Manaus amanhã (2), às 14h, na avenida Djalma Batista, tendo como ponto de encontro o posto 700. A iniciativa surgiu após o protesto na avenida Paulista, em São Paulo, no último domingo em que manifestantes, entre eles torcedores de clubes de futebol, marcharam em defesa da democracia e contra o presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido).

De acordo com um dos organizadores do ato, Matheus Castro o protesto em Manaus também teve é motivado pela constância de atos antidemocráticos no país, em que manifestantes pedem o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal, a volta do AI-5 (decreto mais duro da ditadura), intervenção militar e o uso de tochas de fogos e máscaras que se assemelham a protestos de neonazistas e de membros da Ku Klux Klan, organização racista dos Estados Unidos que defende a supremacia branca.



“O intuito é dizer não à intolerância, ao nazismo, ao fascismo e aos atos antidemocráticos que estão sendo implantados e naturalizados no país. Com adesão de mais pessoas, percebemos que a pauta é muito mais ampla que somente a democracia. Estamos lutando contra o movimento fascista, que está se organizando no país, que demonstra extrema renúncia e desrespeito aos negros, indígenas, quilombolas, a comunidade LGBT, aos jornalistas que são constantemente atacados e ao próprio judiciário”, explicou.

Segundo Castro, entre as pautas da manifestação também está a luta contra violência policial após a morte do jovem carioca João Pedro, de 14 anos, durante uma operação no Rio de Janeiro e as manifestações por justiça ao americano George Floyd, morto por um policial branco no dia 25 de maio em Mineápolis, nos Estados Unidos. 

“Levamos em consideração que esses ataques (antidemocráticos) não são somente contra a democracia, é contra tudo que diverge da visão de mundo deles (Bolsonaro, seus familiares e ministros do governo): guerra de classes, desigualdades, genocídio, ódio contra os povos indígenas, contra a floresta amazônica e a imprudência do governo na resposta ao coronavírus”, afirmou.

Matheus Castro disse que o ato contará com dois carros de som, para discurso dos manifestantes, e uma caminhada com os cartazes. O percurso ainda será divulgado.

A organização do ato informou que seguirá todas as orientações sanitárias da Organização Mundial da Saúde (OMS) e contará com desaglomeradores para controlar a obediência ao distanciamento social de 1,5m de distância entre as pessoas.

Para protestar com segurança, o uso de máscara de proteção ao novo coronavírus é obrigatório e se possível luvas de proteção e protetor facial. Recomenda também que manifestantes usem trajes de cor preta, representando o luto pelas vítimas da Covid-19 e os ataques à democracia.

A organização do protesto pede ainda que pessoas do grupo de risco da Covid-19 (idosos e portadores de doenças crônicas), pessoas que residem com familiares nesse grupo e crianças não compareçam ao ato. A manifestação será transmitida pelas redes sociais do Amazonas pela Democracia e eventuais novos protestos ainda serão definidos e anunciados pelo movimento. 

Saiba mais

Diante dos ataques nas redes sociais e da ameaça de participação de manifestantes pró-Bolsonaro, a organização do ato pró-democrático pediu o apoio da polícia no protesto.

“Nós não nos intimidamos por essa minoria escandalosa, mas precisamos garantir a segurança de quem vai participar do ato. Estamos preparando um movimento totalmente pacífico, a nossa intenção não é fazer arruaça ou prejudicar. Vamos apenas expor o nosso ponto de vista e dizer não a todos os retrocessos que estão acontecendo no nosso país”, disse Matheus Castro.

Opinião: Bruno Rodrigues, estudante universitário e participante da manifestação

"Somente movimentos democráticos e sem violência derrubarão esse governo. Tudo que for no caminho contrário a isso o fortalecerá. Bolsonaro quer a guerra civil. É preciso contê-lo, constitucionalmente, rapidamente. O alerta do ministro Celso de Mello e o incidente da Paulista reforçam a necessidade de imediatamente abrir um processo de impeachment (do presidente da República). Existe uma grande diversidade de pensamentos dos grupos contra Bolsonaro: uns prezam por manifestações mais calorosas e outros não. Eu vou sempre no caminho da constitucionalidade, com o ganho de apoio popular e pressão política aos mandatários, aliás, são eles que votam sim ou não em um processo de Impeachment. E sempre respeitando a relação entre os três poderes e as instituições”.

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Repórter de A Crítica

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