Sexta-feira, 26 de Novembro de 2021
GREVE

Grevistas de terceirizada da Petrobras seguem com manifestações na sede da empresa em Manaus

Os trabalhadores da Província Petrolífera de Urucu cobram o pagamento dos salários atrasados, do plano de saúde e as cestas básicas da empresa Método Engenharia



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22/10/2021 às 14:47

O diretor-secretário do Sindicato dos Petroleiros do Amazonas (Sindipetro-AM), Agnelson Camilo afirmou que os trabalhadores em greve da empresa Método Engenharia, terceirizada pela Petrobrás, estão com dificuldade financeira devido a falta de pagamento. "Os trabalhadores estão passando fome como se fossem mendigos aqui na cidade de Manaus", disse. Os trabalhadores da Província Petrolífera de Urucu cobram o pagamento dos salários atrasados, do plano de saúde e as cestas básicas desde o dia 18 (segunda-feira). Eles estão localizados na frente sede da Petrobras.

A greve contabiliza 140 trabalhadores e está ativa desde o sábado (16), porém somente na segunda que os grevistas se encontram dentro da sede. Na manhã desta sexta-feira (22), os portões estavam fechados para entrada e saída tanto dos colaboradores, quanto dos grevistas, que se concentraram na frente da sede, com a presença da polícia para o aparato de segurança.




Foto: Luane Maciel

De acordo com os trabalhadores, espera-se ao menos um posicionamento da Petrobras, que segundo o outro diretor-secretário do Sindipetro, Silvio Claúdio, é totalmente culpada pelo atraso por conta do modelo de contrato feito Listconsor que significa "se a contratada não pagar, a contratante é responsavel em pagar".

Tramita na justiça dois processos, um deles sendo indicado por dissidio pela a empresa Método juntamente Petrobrás, que acusa como abusiva a  greve. Porém como diz, Silvio Cláudio, a greve segue todos os parâmetros legais "Ora, como uma greve pode ser abusiva se ela tem toda a formalização e em tempo hábil, em tempo legal".

De acordo ainda com o secretário, muitos trabalhadores encontram-se em situaçoes difíceis decorrentes da falta do pagamento salarial, alguns estão em situações de despejo, de falta de pagamento da pensão alimentícia e outros não tem o que comer. 

Como é o caso do pintor industrial, Raimundo da Rocha,  que necessita da ajuda dos outros colegas para comer e conseguir chegar ao local e ter como voltar casa. Atuante na empresa há sete anos, Raimundo relata que sustenta a toda a família e que um dos filhos precisa de cuidados especiais "Eu, minha esposa e mais dois filhos, um que é especial, que é acamado, tem 24 anos, tá lá em cima da cama. Tô fazendo curativo nele porque os colegas estão trazendo gases de casa e me ajudando a comprar as coisas dele".

Outro caso tambem relatado, é do eletricista de Manutenção, Paulo Araújo, 54, que atua na contratada da Petrobrás, há oito anos e tem conseguido sustentar toda familia nesses quase três meses de atraso, por freelancer "Na falta do pagamento, eu tenho conseguido viver porque eu faço alguns trabalhos aqui na cidade como freelancer na minha área de eletricidade", afirma. 

Vigilância

Embora sendo tratada como uma greve pacífica, Silvio Cláudio, relata momentos de vigilância dos seguranças dentro da sede, com o intuito de inibir os grevistas. ""Portões abertos porém o tempo todo a gente vigiado, já chamaram a polícia para nos inibir. Já colocaram a segurança deles para nos inibir, já chegaram ao ridículo de querer que o segurança deles acompanhe cada trabalhador dentro do banheiro".

Ainda assentua que nessa situação está ocorrendo um processo inverso que não pode ser permitido. "Trabalhador honesto sem receber dinheiro, levando título de bandido" afirma o secretário.

Audiência

Segundo o representante do sindicato SINTRAMECOR, Berenicio Lima, ainda aguarda-se  a marcação da audiência de conciliação, onde espera ser resolvido todas as problemáticas expostas dos trabalhadores "Nessa reunião garantir o pagamento, as verbas da cesta básica, do pessoal que foi demitido, das férias dos trabalhadores que saíram de férias mas não receberam". Além de segundo Berenicio, afirma querer  garantir que nenhum trabalhador seja retaliado nessa paralisação e que seja garantido o pagamento de verbas futuras.

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