Terça-feira, 22 de Junho de 2021
ECONOMIA

Fim de ano de cautela e esperança no comércio em Manaus

Reportagem de A CRÍTICA foi às ruas ouvir empresários e clientes sobre a expectativa para o Natal e o Ano Novo mais atípicos do século



1852965_9EC3FEA3-6C1E-4763-81E9-1E6435470222.JPG Movimento no Centro de Manaus, com ruas lotadas, assusta em tempos de pandemia, mas ainda está abaixo do esperado (Foto: Iago Albuquerque)
16/12/2020 às 09:43

Diferente de anos anteriores, as festas do Natal e Ano Novo, tradicionalmente reconhecidas por movimentar o comércio, terão um cenário mais cauteloso por parte do clientes, devido à queda no orçamento familiar em virtude da pandemia da Covid-19.

A gerente, Maria Zildenia, 45, acredita que a baixa no faturamento pode ser justificada pela redução do auxílio emergencial de R$ 600 para R$ 300 pelo Governo Federal. Sem muitas expectativas, ela deposita sua última esperança no pagamento da segunda parcela do 13º, que deve convidar a população a sair de casa para fazer as compras de fim de ano um pouco mais tarde do que nos anos anteriores.



“Vai ser um dos piores anos. Eu estou aqui há cinco anos na loja e acho que nesse final de ano, as vendas estão muito abaixo da média”, lamentou Zildenia.

pesquisa e otimismoO quadro também pode ser traduzido nos números da pesquisa da Câmara dos Dirigente e Lojistas de Manaus (CDL-Manaus) e Offer Wise Pesquisas, onde 32% dos respondentes apontaram que usarão o seu 13° para comprar presentes de Natal.

A autônoma, Tatiana Oliveira, 26, ainda vê o cenário com otimismo, pois mesmo com queda nas vendas, a redução foi menor do que ela espearava apesar da pandemia: “Reduziu um pouquinho porque o pessoal tem mais cautela de vir ao Centro, por conta do coronavírus, mas nós pensávamos que seria pior, mas não está tanto”.

Tatiana, afirma, que o movimento de clientes em sua banca cresceu nos últimos dias, e vê em 2021 perspectiva de melhora.

Sem promoções

Após meses de isolamento social, a dona de casa, Adriana Ferreira, 49, foi pela primeira vez ao comércio juntamente com sua família esperando encontrar promoções para comprar roupas para as festas, mas a realidade foi outra. Em virtude disso, ela diz que precisará gastar mais do que no mesmo período no ano passado: “Tem que ter um orçamento uns R$ 400 no máximo porque está bem caro as coisas. Ano passado nós gastamos bem menos porque as coisas estavam mais em conta, agora está bem mais caro”.

Além da alta nos preços uma reclamação recorrente é a da vendedora de veículos, Mariene Nogueira, 25. Acompanhada da mãe, ela esperava mais variedade nas lojas, mas teve dificuldade para encontrar algo diferente para compor os “looks”.

A vendedora, foi as ruas do Centro da cidade em busca de preços mais acessíveis, o que segundo ela, não foi encontrado e por isso, não deverá comprar nada luxuoso. “Por conta da pandemia eu pensava que muita coisa estaria barata, mas está ao contrário, tudo caro”, contou.

Descuido no meio da multidão

A maior preocupação de quem quer ir as lojas fazer as compras deve ser com as medidas de segurança contra a Covid-19. Desde reabertura do comércio, a recomendação aos empresários foi o cumprimento das medidas sanitárias contra a doença. Mas ao visitar os principais pontos de vendas na cidade, A CRÍTICA constatou muito desrespeito com as regras de distanciamento e negligência no uso de máscaras.

Ainda assim a aposentada Alaíde Pereira, 70, disse que comparado aos anos anteriores os comércios estão visivelmente mais vazios, mas o pouco movimento não resultou na queda dos preços que permanecem altos, o que, de acordo com ela, pode ser mais uma das causas da redução de clientes: “As pessoas quase não tem dinheiro estão mais passando pelas lojas vendo os preços das coisas e indo embora”.

Sobre o risco de contaminação pela a Covid-19, Alaíde declarou: “A gente sai com fé em Deus, a gente não pode ficar em casa preso a vida toda”.

Cesta básica

Dez por cento da população deve usar o 13° para comprar alimentos para a Ceia de Natal e Ano Novo, segundo a CDL, porém é preciso ficar atento aos preços já que acordo com a Comissão de Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa os valores dos itens que compõem a ceia natalina podem variar até 84,05% em Manaus.

Em números

84% É a variação média de preços dos itens que compõem a ceia natalina em Manaus, segundo a Comissão de Defesa do Consumidor da ALE-AM. Os produtos com maiores variações são o Chester, Supreme e o Peru.

E-commerce esvazia corredores

O movimento nos shoppings da cidade também devem aumentar como em todos os anos mas ainda abaixo do esperado. O Millennium Shopping, por exemplo, informou que apesar do aumento da quantidade de clientes nos últimos dias, ainda está 20% abaixo do ano passado. Segundo o gerente geral Miguel Christoph: “Alguns (clientes) têm optado por entrar em contato direto com a loja ou através da Vitrine Virtual, localizada no site do Millennium, e adquirir o produto para receber em casa ou vir apenas para fazer a retirada”.aposta na altaAs projeções da Confederação Nacional do Comércio (CNC) são de que em 2020 as vendas para as festas de fim de ano devem crescer 3,4% em relação ao ano passado, com boa parte das compras realizadas por e-commerce.

O presidente da Federação do Comércio no Amazonas (Fecomércio), Aderson Frota, lembrou que o fechamento do comércio de março a junho deixou uma insegurança no mercado. Entretanto, o ano deve fechar com números positivos e o cálculo do faturamento para 2021 deve excluir os 100 dias de paralisação das atividades: “Segundo informação que recebemos da Secretaria de Fazenda, de janeiro a junho deste ano e de janeiro a junho do ano passado, a arrecadação do comércio e serviços de ICMS, cresceu mais de 15% e isso mostra o vigor da atividade comercial”.

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Repórter
Repórter de A CRÍTICA. Sempre em busca de novos aprendizados que somente uma boa história pode trazer.

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