Quarta-feira, 08 de Abril de 2020
PONTE DO EDUCANDOS

Catraieiros temem perder renda com chegada de barcos gratuitos no Educandos

Com interdição no local, Prefeitura disponibilizará gratuitamente viagens em embarcações para pedestres



CATRAIEIROS_AB2D2C43-7CF9-4ED0-9ACD-409F6B4CC9C6.JPG Foto: Euzivaldo Queiroz
24/01/2020 às 21:15

Recentemente, a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) anunciou que vai disponibilizar embarcações para o transporte gratuito de pedestres que precisam atravessar a Ponte de Educandos, na Zona Sul de Manaus, interditada para a circulação de automóveis desde a última segunda-feira (20). No local, equipes estão dando continuidade às obras de revitalização da estrutura, com duração prevista para 120 dias.

A circulação de pedestres próxima a área interditada continua. De acordo com a Seminf, a passagem alternativa só será implementada quando houver o início da fase de demolição do guarda-corpo da ponte, com previsão de início em até duas semanas. As catraias oferecidas pela Prefeitura de Manaus somente estarão liberadas para a travessia quando a demolição for iniciada.



A medida, porém, desagradou aos catraieiros que trabalham nas margens do igarapé do bairro Educandos. Eles receiam acumular prejuízos no faturamento mensal. É o caso de Anderson Marinho de Sousa, 35, que trabalha como vigia de embarcações no atracadouro próximo à avenida Lourenço da Silva Braga, no Centro, e faz o translado em canoas para conseguir sustentar o filho. “Se for verdade, não teremos condições de nos manter”, afirmou Sousa, que fatura entre R$ 20 a R$ 40 por dia.

Raimundo Osmiro Júnior, 52, ainda não havia sido informado da medida, mas acredita que a interdição vai impulsionar a procura pelas catraias. “É muita gente passando pela ponte”, observou. Já o marítimo Elias “Tucunaré” Neto, 58, propõe que os canoeiros sejam ressarcidos pela perda de clientes. “Poderiam nos oferecer uma espécie de mensalidade, porque vão matar nosso ganha-pão”, declarou.

Do outro lado do rio, as obras do sistema de tratamento de esgoto do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamin III), localizado no cruzamento da Boulevard Sá Peixoto com a rua Manoel Urbano, dificultaram o acesso de passageiros com cargas à estação improvisada na beira do igarapé. “A maioria das pessoas está impedida de entrar, e o movimento diminuiu”, lamentou Luciano Alves da Silva, 42.

E dependendo da distância, o valor da tarifa varia entre R$ 2 e R$ 5. Para evitar problemas com a Capitania dos Portos, o número de passageiros é limitado a cinco pessoas.

“Acho ruim. A viagem em ônibus lotação é mais rápida”, disse a agricultora Nonata Alves, 35. Natural do Careiro da Várzea, região metropolitana de Manaus, ela atravessa as águas do igarapé duas vezes por mês em visitas à mãe, moradora do Educandos.

Em resposta enviada por e-mail à reportagem, a Seminf afirmou que o transporte concedido pela Prefeitura “é necessário para não gerar despesas aos pedestres e permitir o livre trânsito dos mesmos, que já era realizado pela ponte sem uso dos catraieiros”, diz a nota.

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Repórter de Cidades
Formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Além de A Crítica, já atuou em uma variedade de assessorias de imprensa e jornais, com ênfase na cobertura de Cidades e Cultura.

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