Quinta-feira, 09 de Abril de 2020
RESISTÊNCIA

Ativismo e ações de antiviolência contra pessoas LGBT+ é tema de oficina em Manaus

Organizado pelo coletivo Manifesta LGBT+, o encontro reuniu 30 associados que discutiram as futuras ações da ‘Casa Miga’. Violência oriunda de bairros periféricos e no interior do AM estiveram em foco



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25/01/2020 às 18:37

A violência contra pessoas LGBTI+ (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, transgêneros, intersexuais e outras identidades de gênero) está mais concentrada nos bairros periféricos de Manaus e em grupos mais vulneráveis, como pessoas transexuais e travestis que trabalham nas ruas. É nestas áreas que os ativistas planejam intensificar as suas ações em 2020. Este foi um dos pontos discutidos na “Oficina de Multiplicadores em Ativismo LGBTI+”, realizado na tarde deste sábado (25), no Industrial Hub, Distrito Industrial, Zona Sul da capital.

Organizado pelo coletivo Manifesta LGBTI+, o encontro reuniu 30 associados que discutiram as futuras ações da ‘’Casa Miga’’, residência de acolhimento criada pelo coletivo que fornece abrigo a LGBTIs em situação de vulnerabilidade social, e também a criação de grupos de trabalho para atuar em alguns núcleos como ‘’saúde’’, ‘’educação’’, ‘’comunicação’’ e ‘’direitos humanos’’.



‘’Neste ano a gente vai focar nos grupos de trabalho por núcleo. Por isso, todos se reuniram para estipular, no mínimo, uma ação principal para cada semestre de 2020, focando sempre na visibilidade de pessoas lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros’’, explicou o porta-voz do Manifesta LGBTI+, Gabriel Mota.


Gabriel Mota é o porta-voz do Manifesta LGTBI+. Foto: Glenda Dinely.

Embora, em Manaus, os casos de homofobia estejam cada vez mais raros no ramo do entretenimento (boates, bares, casas de show etc.), nas zonas mais periféricas e no interior do Estado ainda são frequentes, de modo que ainda é comum encontrar pessoas nestes lugares que precisam esconder a própria orientação sexual por segurança.

‘’Independentemente se algum evento da capital é LGBTI+ ou não, você vê pessoas da comunidade andando de mãos dadas. A violência está mais na periferia e em grupos mais vulneráveis, como o grupo transexual e travesti que trabalha nas ruas. Temos que fazer uma autocrítica em relação a isto, pois ainda estamos muito concentrados na região central de Manaus. Queremos descentralizar as nossas ações para outras regiões da cidade, como as zonas Norte e Leste’’, projetou.

A gerente de Diversidade de Gênero, Sebastiana Silva, da Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), esteve presente na oficina palestrando sobre as conquistas nos últimos anos e sobre os principais desafios para 2020.

‘’O setor Diversidade de Gênero existe desde 2015 e é responsável por coordenar e elaborar planos, programas e projetos dentro da comunidade LGBTQI+, e articular ações junto aos demais órgãos do poder público e sociedade civil’’, explicou.

Silva frisa que, no atual momento, um dos maiores desafios é a implementação das leis, entre elas a que criminaliza a LGBTfobia, aprovada ano passado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).


A gerente de Diversidade de Gênero Sebastiana Silva representou a Sejusc no encontro. Foto: Glenda Dinely

‘’As pessoas que sofrem qualquer tipo de violência por conta da sua orientação sexual ou identidade de gênero precisam saber onde procurar os serviços de proteção. Devemos ampliar o debate com a sociedade a respeito do que é a identidade de gênero, pois há muita desinformação a respeito’’, disse.

‘’Ainda hoje há famílias que, infelizmente, expulsam seus filhos LGBTIs de casa e os agridem física e psicologicamente. Precisamos difundir à sociedade que isso é uma violação de um direito humano e que os responsáveis poderão responder criminalmente por isso’’, completou.

Ainda conforme Sebastiana Silva, um dos maiores desafios para este ano é ampliar as ações e discussões promovidas pela Gerência de Diversidade e Gênero ao interior do Amazonas. ‘’A gente tem estabelecido um diálogo com os movimentos sociais atuantes nos municípios do interior, como Tabatinga, Benjamin Constant, Parintins, Manacapuru e Rio Preto da Eva. Nossa vontade é de ampliar o acolhimento aos que sofrem violência por serem quem são nestas cidades, pois sabemos que em alguns lugares a aceitabilidade da comunidade LGBTI+ ainda encontra resistência’’, destacou.

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Repórter do caderno Cidades do jornal A Crítica. Jornalista por formação acadêmica. Já foi revisor de texto de A Crítica por quatro anos e atuou como repórter em diversas assessorias de imprensa e publicações independentes. Também é licenciado em Letras (Língua e Literatura Portuguesa) pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

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