Terça-feira, 22 de Junho de 2021
CONSEQUÊNCIAS DA CHEIA

Águas da cheia invadem Manaus Moderna e local vira ‘feira flutuante’

Invasão da água ocasionada pela cheia do rio Negro começa a afetar seriamente comerciantes da Manaus Moderna, que já começam a fechar as portas



15/05/2021 às 02:31

A crise sanitária causada pela Covid-19 fez com que muitos permissionários da Feira da Manaus Moderna fechassem as portas. Com a flexibilização do isolamento social, os feirantes acreditavam que o retorno das atividades econômicas poderia conter os prejuízos causados pela pandemia. Porém, foram surpreendidos com uma cheia prestes a entrar para a história, que já está causando prejuízos antes mesmo de chegar ao seu ápice.

Para o comerciante Carlos Neves, de 45 anos, que possui um ponto alugado no entorno da feira, está bastante preocupado com a cheia do rio Negro. A queda nas vendas e o alto valor do aluguel forçam o comerciante a decidir fechar as portas.



 “Aqui está caótico para nós. A água já está entrando na loja. Hoje cedo não tinha água, agora 11h já está inundando. Eu quis negociar com o dono, pois pago R$ 4 mil de aluguel. Se ele pelo menos ‘quebrasse’ mil reais para eu construir pontes, facilitaria. Vou ter que fechar as portas na segunda. Você pode passar por aqui que não vou mais ‘tá’ trabalhando. Vou desocupar o prédio. Não tem como pagar 2 meses, R$ 8 mil, com o ponto fechado. Não tem outra alternativa”, relatou Neves.

Além de Carlos, microempresária Edilene Souza, de 40 anos, dona de um restaurante dentro da Feira da Manaus Moderna, também será impedida de trabalhar por conta da cheia.

“Trabalho aqui na feira há 20 anos. Lembro quando aconteceu a enchente de 2012 que alagou tudo. De lá pra cá ainda não tinha acontecido algo nesse nível. A gente parou de trabalhar duas semanas, veio a prefeitura construir as pontes, mas ficaremos aqui só até mais 10 dias. Porque a tendência é o nível do rio subir mais ainda”, disse.


Foto: Junio Matos

Edilene conta ainda que o prejuízo vem desde o ano passado, por conta da pandemia, e se intensificou com a cheia do rio.

“Com a pandemia ficamos três meses em casa. Agora vem a enchente e vamos passar mais dois meses. Acho que perdi uns 15 mil reais de faturamento nesse período. Tive que diminuir a produção. Antes tínhamos dez tipos de comida, agora só fazemos quatro pratos diferentes. Eu só recebo o bolsa-família que é só 130 reais. Eu moro sozinha com meus dois filhos. Eu que sustento a casa, pago a escola dos meus filhos, água e luz”, descreveu a microempresária.

Queda no faturamento

Outro feirante prejudicado é o Joaquim Figueiredo de Medeiros, de 59 anos, dono de uma stand de calçados e eletrônicos. Segundo o comerciante, antes conseguia faturar diariamente até R$ 250 com a venda de produtos. Após a queda de vendas, o faturamento diário caiu para R$ 40.


Foto: Junio Matos

“Durante os dois anos que estive nunca chegou a esse nível. Ninguém nunca passou pelo sufoco que estamos passando agora. Muitos companheiros foram impedidos de trabalhar. Nós estamos aqui pela misericórdia. Tudo alagado, a gente batendo nossa cabeça no teto. Eu trabalho com sandálias, relógios, pulseiras. Não tive prejuízo de material ainda porque fiz uma maromba aqui dentro para subir os produtos. O único prejuízo que tive foi de venda. Eu faturava 250 por dia, agora faturo 40$ 50$. Tem dias que saio aqui só com o dinheiro do almoço”, pontuou o comerciante.

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Repórter de A Crítica
Amazonense, nascido e criado em Manaus. Graduado em Jornalismo e mestrando em Antropologia Social, ambos pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

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