Segunda-feira, 08 de Março de 2021
CUSTOS DA CONSTRUÇÃO

Nova onda da Covid atrapalha possível queda nos preços da construção no AM

Após forte alta nos preços dos materiais de construção, no ano passado, a expectativa para 2021, de queda nos custos, está ‘em xeque’ pelo novo caos na saúde pública do estado



show_Tijolos-8-furos-9x19x29-4_DD417A4C-1CFD-4596-B878-047120235B5E.jpg Foto: Reprodução/Internet
17/01/2021 às 18:43

No ano passado, apesar da pandemia do coronavírus não ter paralisado as atividades da construção civil do Amazonas, o setor foi impactado pelo aumento excessivo do preço dos materiais no segundo semestre de 2020. A expectativa de muitas construtoras do estado era que em 2021 os preços começassem a estabilizar. Porém, com esta volta de crescimento de casos e internações no Estado, o equilíbrio dos valores dos insumos permanece em incógnita.

Segundo o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas (SINDUSCON-AM), Frank Souza, os preços dos materiais da construção foram maiores que a inflação vigente, chegando a aumento de até 100% nos insumos.



"Os preços dos materiais efetivamente subiram em uma escala muito maior que a inflação. Tivemos casos de aumento de 100% do insumo. O cimento, um dos principais produtos, chegou a aumentar 40%; enquanto o aço aumentou 50% e o PVC cresceu 80%. É uma média de aumento de 15 a 20% se computados a cesta de insumos na indústria da Construção em geral no estado do Amazonas. Ressalto que aqui [no Amazonas] temos uma logística mais cara na região Norte, muitas vezes não computadas na tabela de preços SINAPI [Sistema Nacional de Preços e Índices para a Construção Civil] que é nacional", contou o presidente.

Frank Souza acrescenta ainda que o maior impacto do aumento dos preços dos materiais é no desequilíbrio de contratos de imóveis já firmados do Programa Casa Verde e Amarela (antigo Minha Casa, Minha Vida).

"O maior problema gerado pelo descompasso de preços de material é nos contratos do atual Casa Verde e Amarela que já tem seus preços estabelecidos na origem para as mais diversas faixas de imóveis. Hoje representa 85 a 90% do que é produzido no estado, o governo vai ter que rever estes valores de curto prazo para tornar viáveis novas contratações e equilibrar as já contratadas uma vez que no valor atual não consegue produzir o contratado. Em contratos já pactuados com a iniciativa privada este equilíbrio se dá de forma contratante-contratado em ajuste direto entre as partes; quando já concluído a transação e vendido, no caso do imobiliário, se houver descompasso entre a inflação e o valor do aumento, este custo vai ser absorvido pelo incorporador", explica Souza.

Insistência

Em meio a isso, o presidente da entidade conta que ainda estão sendo feito trabalhos no âmbito regional e nacional com o intuito de reestabelecer o equilíbrio da cadeia da Construção Civil.

"Trabalhamos um forte diálogo com a cadeia fornecedora localmente e através da CBIC [Câmara Brasileira da Indústria da  Construção], fizemos pesquisa de preços em vários fornecedores; hoje alguns produtos básicos, principalmente por aumento de produção da indústria já tiveram redução de valores porém muito distantes do que era praticado no período pré-pandemia", detalhou o presidente.

Expectativas

O presidente do SINDUSCON-AM conta que, apesar de não poder mensurar como será o comportamento do setor neste segundo momento da pandemia no Amazonas, acredita que com a vacinação, a Construção Civil voltará a registrar ótimos índices, com veio contribuindo nos últimos anos.

"Há uma dúvida de como esta segunda onda pandêmica irá se comportar. Temos visto o alongamento dos prazos para reabrir os comércios e algumas atividades; o próprio consumidor está retraído, tenho esperança que em breve vamos poder ter a população vacinada podendo voltar a economia a níveis anteriores, produção na indústria da construção com mais normalidade, gerando negócios e movimentando o mercado em geral", declarou Souza.

Frank Souza prevê ainda um crescimento do setor para o ano de 2021, com o aumento da procura de imóveis neste período de isolamento social.

"Com todos os percalços gerados pelo aumento de preços, desequilíbrio, prevejo um 2021 com crescimento maior que em o obtido em 2020, uma vez que imóvel é bem essencial para qualidade de vida e nunca foi tão buscado como agora para melhoria dos ambientes, uma vez que o lar passou a ser muito mais usado que antes da pandemia e o aumento do home-office trazido/reforçado pela pandemia", concluiu Souza.


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