Quarta-feira, 08 de Abril de 2020
POLÊMICA

Mais de 20 povos indígenas do AM repudiam declaração de Bolsonaro

“Somos povos originários e exigimos respeito", alerta o líder indígena Marivelton Barroso. Presidente Bolsonaro disse que 'cada vez mais, o índio é um ser humano igual a nós', durante transmissão pela internet



Jair-Bolsonaro-indi_genas-Foto-Foto-Alan-Santos-PR-1200x720_DD6F4325-8F4B-40EB-BA93-2E1A7AE40BC1.jpg Foto: André Rodrigues / Reuters
24/01/2020 às 11:36

A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) repudiou nessa sexta-feira (24) a declaração de Bolsonaro transmitida pela internet na noite de ontem (23), no qual o presidente afirma que "cada vez mais, o índio é um ser humano igual a nós". 

A Federação, que atua com povos indígenas do Alto Rio Negro, representa 23 etnias que habitam o extremo norte do  Amazonas e o sul do estado de Roraima.



“Somos povos originários e exigimos respeito. O presidente mais uma vez demonstra sua profunda ignorância em relação a nós povos indígenas e a nossa história e cultura. Sua intenção é destruir nossos territórios com grandes projetos de agronegócio e mineração, sem respeitar nossas decisões e planos de vida”, ressalta Marivelton Barroso, do povo Baré, presidente da Foirn.

Ao lado do ministro da infra-estrutura, Tarcisio Gomes de Freitas, Bolsonaro afirmou que “o índio mudou, está evoluindo, cada vez mais o índio é um ser humano igual a nós. Então fazer com que o índio cada vez mais se integre à sociedade e seja realmente dono da sua terra indígena, é isso que nós queremos”, afirmou.

Desde à chegada de Bolsonaro no comando da presidência, seu governo procura incentivar políticas públicas para que as reservas indígenas sejam abertas à agropecuária e à mineração, com o discurso de desenvolvimento econômico da Amazônia, que concentra a maioria dos povos indígenas brasileiros.

No entanto, uma forte mobilização de indígenas e ambientalistas denunciam que os planos do governo acelerem a destruição da floresta nativa. 

Na semana passada, um manifesto assinado por povos indígenas ao fim de quatro dias de reuniões na reserva do Xingu, no Mato Grosso, disse que Bolsonaro ameaça a sobrevivência dos índios por meio de “genocídio, etnocídio e ecocídio”, conforme noticiou a Reuters.

Crime de racismo

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) publicou por meio de sua página na internet, nesta sexta-feira (24), que vai processar o presidente Jair Bolsonaro por 'crime de racismo' por conta da declaração do presidente de que os índios são cada vez mais “um ser humano igual a nós”.

“Nós, povos indígenas, originários desta terra, exigimos respeito! Bolsonaro mais uma vez rasga a Constituição ao negar nossa existência enquanto seres humanos. É preciso dar um basta a esse perverso!”, disse a coordenadora-executiva da associação, Sonia Guajajara, em publicação no Twitter na noite de quinta-feira.

Guajajara representa 64 etnias atuam na APIB. A liderança também concorreu a vice-presidente na chapa de Guilherme Boulos, do Partido Socialismo e Liberdade (Psol).

Ela acrescentou que a APIB entrará na Justiça contra Bolsonaro por crime de racismo. Procurada nesta sexta-feira, a associação não respondeu de imediato sobre o prazo em que a denúncia será enviada à Justiça.

Repórter

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