Quinta-feira, 22 de Outubro de 2020
REALIDADE

Mulheres enfrentam dificuldades em busca de melhores condições no futebol

A CRÍTICA foi até o CT do projeto Atletas com Cristo e conversou com quatro atletas que desejam seguir o sonho de se tornarem jogadoras profissionais



FUT_B86852F6-C1CD-4809-88E0-0549AB3A8BF6.jpg (Foto: Junio Matos)
27/09/2020 às 17:51

"Além do futebol, também estava trabalhando como doméstica, pois eu já sou mãe, preciso ter alguma renda para conseguir um futuro melhor", essas são as palavras de Andreia Antunes, 25 anos, natural de Boa Vista do Ramos, município que é distante de Manaus 271 quilômetros. A atleta em breve viajará para buscar o sonho de se tornar jogadora de futebol profissional. O destino? A Associação Desportiva Lusaca, time campeão baiano em 2017, vice em 2018 e com participação no Campeonato Brasileiro da Série A2 em 2018 e 2019.

Ao lado de Andreia, também viajará a volante Isma Maressa, de 22 anos, que nasceu em Autazes, 112 quilômetros de distancia da capital. A jogadora disse que antes de começar a atuar no projeto Atletas com Cristo, ganhava dinheiro com fotografia para conseguir fechar as contas do mês, mas que o seu desejo não é usar das lentes de uma câmera o seu meio de ficar perto do futebol, e sim estar dentro do campo para conquistar a oportunidade de ser tornar atleta profissional.



"Para quem trabalhou muito para conseguir, é uma oportunidade incrível, única na vida. Mas o trabalho acaba sendo dobrado também, pois o foco não é apenas se tornar atleta profissional, é ir muito além, subir, pensar sempre grande, quem sabe até uma seleção brasileira", respondeu Isma.

Recentemente através da Seleção Brasileira, o futebol feminino conquistou uma importante vitória em busca de igualdade. O presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Rogério Caboclo anunciou no último dia 2 de setembro, que as diárias serão iguais entre homens e mulheres, e não terá mais diferença entre gêneros. Caboclo ainda informou que a quantia da premiação em jogos olímpicos também serão iguais e no que consta a Copa do Mundo, dependerá de quanto a FIFA disponibilizará em premiação, mas que a ideia é que seja nivelado.

Esse reconhecimento no topo da montanha do futebol brasileiro pode ser um início, mas ainda não chega nem perto do que as atletas almejam como ideal para conseguir a valorização necessária. Pegando o cenário underground, o clube com maior sucesso no Amazonas, o Iranduba, jogou a Libertadores da América em Manaus, campeonato continental mais importante das Américas, e tinha uma folha salarial mensal de 120 mil reais. A folha salarial do Manaus FC, equipe que está na Série C do Campeonato Brasileiro gira em torno de 300 mil reais, mais do que o dobro da do Hulk atuando na Libertadores.

A realidade cruel não desanima as meninas

A repórter Gabriela Moreira escreveu em seu antigo blog no ESPN, que para os meninos que desejam ser jogador de futebol, existe a chance de chegar no topo mais alto do esporte e conseguir o tão sonhado pote de ouro, mas que no caso das meninas que têm o mesmo sonho, mesmo conseguindo chegar no topo, esse pote pode vir apenas pela metade. A meia-atacante Cassia Kiss ainda almeja este topo da pirâmide no futebol feminino. A atleta que jogou pelo Iranduba nos anos de 2015 e 2016, agora aos 22 anos, busca uma chance para passa na peneira que a Atletas com Cristo irá fazer em parceria com o Fluminense, nos próximos dias 17 e 18 de outubro, que terá a expectativa de contar com algo perto de 70 meninas.

"As expectativas são as melhores possíveis, eu sempre penso em estar lá no topo, que eu posso e eu consigo realizar, eu trabalho todos os dias aqui no CT com os garotos, buscando melhorar para que quando essa peneira do Fluminense chegar, eu esteja preparada para mostrar meu trabalho e conseguir ser uma das atletas a serem selecionadas", afirmou a jogadora.

Outra atleta que está esperando a peneira do Fluminense é a lateral esquerdo de 24 anos, Débora Guedes, natural de Iranduba, município à 40 km de distancia da capital. Para a ex-vendedora, conseguir trabalhar com o que se ama e ainda ter uma renda mensal por isso é o seu atual foco, e nem mesmo os três anos de inatividade tiram a motivação da jogadora.

"Mesmo eu tendo ficado três anos paradas em relação ao futebol, eu busco conseguir passar nessa peneira e jogar profissionalmente, pois principalmente eu quero conseguir ganhar dinheiro com uma coisa que eu amo desde criança. Eu não faço faculdade, mas sempre me virei com outras coisas na minha vida, já trabalhei como vendedora em lojas, pet shop e se eu conseguir realizar este sonho e ter uma renda para ajudar a minha família, vai ser tudo na minha vida", disse Débora.

As cicatrizes que ficam pelo caminho

E para Andreia, a volante que citamos logo no início do texto que irá para uma equipe da Bahia jogar o estadual, a realidade é ainda mais difícil, pois além da busca por oportunidade, a atleta ainda é mãe, e para ir atrás de seu sonho, precisou deixar seus filhos em sua cidade, Boa Vista do Ramos, com a sua família para poder conseguir trabalhar na capital e conciliar a rotina de treinos no CT da Atletas com Cristo.

“Eu tive que deixar meus filhos com a minha mãe, pois quando eu me separei, eu tive que vir para a capital em busca de trabalho e eles ficaram na minha cidade natal, então a minha mãe me deu essa chance para tentar, ofereceu todo o suporte para cuidar dos meus filhos enquanto eu trabalho aqui na cidade e busco meu sonho, sem contar que eu ainda tenho uma grande ajuda da minha patroa, pois me libera mais cedo do expediente para que possa treinar e me manter sempre em forma", explicou.

As inscrições para participar do projeto Atletas com Cristo são gratuitas, basta ligar para o número: 99177-1370. E para o atleta interessado em participar da peneira será preciso comprar um kit alimentação no valor de 20 reais.

Repórter de A Crítica

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