Domingo, 24 de Janeiro de 2021
PERFORMANCE

‘Cor Pó’ será apresentada no Festival Segunda Black, do RJ

Em sua nova edição, o festival traz como novidade a seleção de trabalhos de fora do Estado do Rio de Janeiro, convidando outras produções artísticas negras do país



A1220-1F_AD89AFD5-7126-4AF5-9877-357E1BC18CEA.jpg (Foto: Divulgação/Keila Serruya Sankofa e Alonso Júnior)
23/11/2020 às 19:10

Fruto da inquietação dos corpos de mulheres pretas afro-amazônicas, a performance “Cor Pó” foi selecionada para participar da 4ª edição do Festival Segunda Black, do Rio de Janeiro. Criada por Andreza Afro Amazônica com produção de Maya Luz, a performance será exibida em vídeo no dia 4 de dezembro às 18h30 (horário Manaus) na página do Segunda Black no Facebook.

De acordo com Andreza, a performance tem uma grande relação com as questões de vulnerabilidade e de potencialidades dos corpos. "O que é um corpo? O que é um Cor Pó? O que é? Eu estou aqui, vocês me veem? Vocês estão aí...e eu os vejo? Vejamos. O corpo então é matéria? Algo observável, palpável, palatável, consumido, ingerido, descartado... Mas esse corpo também transcende a matéria, ele pulsa sentidos e significados. É simbólico, político e ancestral. Esse corpo constrói saberes e destrói também. Esse corpo é destruído e reconstruído. Transfigurado e ressignificado", destaca a artista.



Ainda de acordo com Andreza, o processo de criação da performance indaga o “pensar esse corpo preto dentro desse território da Amazônia, e em específico no contexto urbano da cidade de Manaus”. Andreza ressalta também que o espaço invisibiliza ou tenta silenciar a negritude na capital com um discurso colonizador de Manaus, a Paris dos Trópicos.

"Cor pó surge através dessas inquietações, da minha história de vida, da relação do meu corpo de mulher-cis-preta dentro da Amazônia, com os meus, com os outros, nos lugares que habito e nos locais que quero ocupar”, declara.

A ficha técnica de “Cor Pó” é formada pela Artista Manauara Andreza Afro Amazônica com a criação geral da performance, produção de Maya Luz e Produção, Produtora de Filmagem Picolé da Massa com Keila Serruya Sankofa, Alonso Junior e com captação de som de Elson Arcos.

A Segunda Black

O projeto Segunda Black é feito desde 2017 e reúne desde então uma equipe responsável por sua construção. Formada por artistas, produtores, curadores e técnicos negros, o coletivo se viu mobilizado por um objetivo comum: criar uma ação artística, onde artistas negros apresentassem seus processos criativos, se conhecessem e através de um olhar crítico de um intelectual ou artista também negro, estabelecessem um diálogo positivo e construtivo sobre a arte negra contemporânea na cidade do Rio de Janeiro. 

Em sua nova edição traz como novidade a seleção de trabalhos artísticos através de uma convocatória e amplia sua programação para artistas fluminenses e de fora do Estado do Rio de Janeiro, convidando outras produções artísticas negras  do país.

Para 2020, o projeto dá continuidade a uma ocupação artística iniciada em 2018 de forma itinerante, que circulou por 03 espaços na cidade do Rio de Janeiro com mais de 100 artistas e um total de 43 performances apresentadas.

Repórter de A Crítica

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