Sexta-feira, 25 de Setembro de 2020
MÚSICA

'Jardim Noturno' traz obras inéditas de Claudio Santoro

Cantor lírico Paulo Szot e o pianista Nahim Marun celebram versatilidade do compositor amazonense em álbum duplo



Paulo_Szot_e_Nahim_Marun_Priscila_Prade_B29403B2-F5EF-483B-AE9C-BDC3D388A9E2.jpg O disco ‘Jardim Noturno - Canções e Obras para Piano de Claudio Santoro’ traz 18 obras nunca gravadas(Foto: Priscila Prade)
09/08/2020 às 07:00

Durante todo o período de 2019, a música de concerto manteve-se envolta às lembranças e à genialidade de Claudio Santoro. Seja como violinista, compositor, maestro ou professor, o músico mantém um legado entre óperas, sinfonias e centenas de obras de embates estéticos e políticos. Entre os registros datados pelo último ano, encontram-se o centenário de nascimento do amazonense; os 30 anos do falecimento dele; e a comemoração das quatro décadas de fundação da Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro (OSTNCS).

Ainda jovem, o artista inquieto e polivalente ganhou uma bolsa de estudos pelo governo do Amazonas, a qual o levou a formar-se musicalmente no Rio de Janeiro. Tão logo, ganhou o mundo das partituras e da arte das regências. Em quase 70 anos de vida, distribuídos em diferentes fases criativas, estima-se que Santoro tenha composto mais de 500 obras, dentre as quais, estão cerca de 60 canções. No entanto, com exceção dos títulos produzidos ao lado do poeta Vinicius de Moraes, nos ciclos Canções de Amor e as Três Canções Populares, outras peças ainda seguem desconhecidas.



A partir de estudos no acervo pessoal do cravista Alessandro Santoro, filho de Claudio, o pianista Nahim Marun e a pesquisadora Camila Fresca fizeram um levantamento de canções para delinear e celebrar a versatilidade do compositor brasileiro. 
Durante esta peregrinação musical, 18 obras inéditas foram identificadas e, junto às 13 canções concebidas da parceria entre o maestro e Vinicius de Moraes, nasceu o disco duplo Jardim Noturno - Canções e Obras para Piano de Claudio Santoro. 
Lançado pelo Selo Sesc e tendo como intérpretes o cantor lírico Paulo Szot e o pianista Nahim Marun, o projeto traz as canções de Claudio Santoro intercaladas por peças para piano solo. O álbum chega ao Sesc Digital no dia 7 de agosto e nas demais plataformas de streaming em 12 de agosto.

Único brasileiro vencedor do Tony Awards em 2008, na categoria de Melhor Ator em musicais e a primeira voz masculina a cantar no Metropolitan Opera de Nova Iorque, o barítono paulistano Paulo Szot usa a sensibilidade lírica acompanhada do piano de Marun para homenagear o compositor amazonense. "É um privilégio e um sonho poder registrar a beleza da música de Claudio Santoro. Procuramos, com enorme admiração pelas obras, oferecer diferentes fases do autor, buscando uma narrativa singular para ilustrar o diálogo tão sensível e peculiar do Claudio Santoro entre o canto do piano e da voz", afirma.

Para o pianista Nahim Marun, "o cancioneiro de Santoro abre um espaço musical íntimo, delicado e cheio de belas surpresas. Cada nota, cada frase, cada detalhe traduz com sofisticação os múltiplos significados da poética. Em contraponto, as peças para piano solo, com seu caráter anguloso, rústico e solar, se entrelaçam com os ciclos e canções, imprimindo um sotaque pianístico bem brasileiro ao imaginário exuberante do Jardim Noturno”.
gênio criativo


Claudio Santoro estudou com o alemão Hans-Joachim Koellreutter; participou da vanguarda musical como integrante do grupo Música Viva; aderiu ao dodecafonismo, ao tonalismo e pós-tonalismo; estudou com a compositora francesa Nadia Boulanger; e firmou-se na estética do realismo socialista. Com o enfraquecimento da ditadura militar, em 1978, Santoro deixou a Europa e retornou ao Brasil. Na década seguinte, dedicou-se a ensinar jovens músicos, a compor intensamente e reviver a sublimação de todas as fases musicais anteriores. No dia 27 de março de 1989, enquanto conduzia o ensaio da Orquestra Nacional de Brasília, no pódio do Teatro Nacional da cidade, um infarto fulminante o levara embora.

A partir deste registro encabeçado por Paulo Szot, Nahim Marun e o Selo Sesc, é possível acompanhar as diferentes fases criativas pelas quais Santoro passou, seguidas por canções de uma série de primeiras gravações mundiais. Entre prêmios, sinfonias e percursos estético-criativos, Claudio Santoro (1919-1989) segue como um dos maiores compositores nacionais.

 

Confira o álbum  no site do Sesc Digital

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