Sábado, 25 de Janeiro de 2020
E-commerce sustentável

Produtos da floresta amazônica chamam a atenção na internet

De alimentos a artigos de decoração, itens exclusivos produzidos por ribeirinhos e indígenas da região levam a marca ‘Amazônia’ para o mundo através do e-commerce e ajuda na renda de comunidades tradicionais



RS1874__ISA6844_0FBAD4D5-05BB-484D-AFD8-B0FFF1E08B75.jpg Cogumelo, pimenta e mel indígenas estão na loja do ISA. Foto: Divulgação
07/12/2019 às 17:05

A preocupação com conservação da natureza e dos povos nativos tem alavancado os produtos ‘made in Amazônia’ no cenário nacional e mundial. Mas apesar da variedade de matérias-primas disponíveis, a região ainda enfrenta problemas logísticos para escoamento e remuneração correta dos seus produtores.

A solução para o fortalecimento deste mercado e a construção de uma bioeconomia para municípios distantes dos grandes centros comerciais tem se apresentado através de iniciativas de e-commerces, buscando melhorar a vida e atribuir valor às produções das comunidades amazônidas através da tecnologia.



Uma  delas é promovida pelo Instituto Sociambiental (ISA) que tem 25 anos de atuação em comunidades do Rio Negro, Xingu e do Vale do Ribeira.  A loja (loja.socioambiental.org) é um complemento à atividade de valorização dos produtos feitos pelas comunidades destas regiões,  melhorando a arrecadação e eliminando a necessidade dos ‘atravessadores’ na cadeia produtiva dessas comunidades.

“Fazendo essa relação direta, nós trabalhamos tanto a empresa para entender essa realidade e preparar essas comunidades para atender os requisitos do mercado em termos de qualidade”, explica o coordenador técnico de Cadeias de Valor do ISA,  Jeferson Straatmann.

Na plataforma, é possível encontrar alimentos exóticos como cogumelos da culinária típica dos yanomamis a R$ 39, também é comercializado o mel, óleo, a farinha e a mistura para bolo de Babaçu, produzidos pelos povos do Xingu (MT), com preço médio de R$ 20.

Além disso, a loja também conta com livros e jogos infantis que contam a história e cultura dos povos da floresta, além de blusas com estampas exclusivas com valores entre R$ 20 e R$ 120.    

Os produtos são disponibilizados em baixa escala para todo o território nacional.

Jirau nas Americanas

A Fundação Amazonas Sustentável (FAS) também possui  projetos de empreendedorismo sustentável  em 10 municípios e 24 comunidades ribeirinhas no Estado. Em  parceria com o site Americanas.com oferece uma aba somente para comercialização de artigos produzidos pelos ribeirinhos, estreitando o relacionamento deles com o consumidor final, com apoio   do ‘Jirau da Amazônia’.

 “Tudo que gera de lucro para o negócio vai direto para a comunidade. O que gente faz para assegurar os produtos? Nós antecipamos a compra dos produtos dos artesãos para poder ter o estoque porque na hora que o cliente em São Paulo, Rio [de Janeiro], ou Minas Gerais faz uma compra, nós temos até 48 horas para expedir o pedido”, explicou o coordenador de Empreendedorismo e Negócios Sustentáveis da FAS Wildney Mourão.

Os produtos da Jirau são revendidas, principalmente, para o Sul e Sudeste  do País, que compreende a 90% dos usuários atraídos pelos mais de 400 itens disponíveis no site como  biojoias, bolsas, óculos, cestarias e até farinha de mandioca  , com preços que variam de R$ 19 a R$ 550. A previsão é que a quantidade de peças disponíveis para compra chegue a mil no próximo ano.

Olhares para Amazônia

O coordenador cita também que o debate sobre a Amazônia colocou  em evidência as comunidades, a floresta e o bioma culminando em uma maior preocupação com este ecossistema. 

“Quando as pessoas vão comprar, elas olham para a história, elas identificam a localização, sabem que é da Amazônia e sabem, também, que, no fundo, estão contribuindo para a manutenção da floresta”, relata o coordenador.

 O programa de empreendedorismo da fundação atua há 14 levando cursos de qualificação, verificação de produtos, formação empreendedora e gestão financeira.

Sabores da Amazônia

 A frutos da Amazônia surgiu em 1993, quando a diretora executiva da empresa, Iolane Tavares, chegou a São Paulo e percebeu a carência destes produtos. Ela construiu a vida a partir da produção de doces  por meio do site: www.frutosdaamazonia.com.br.

“Teve uma barreira de entrada realmente grande. Até quando a gente apresentava  os produtos tinha gente que não queria nem provar. Mas, a partir do ano 2000, com celebrações dos 500 anos [do Brasil], isso começou a ter uma abertura muito maior. E Agora com uma conscientização muito maior com relação a região Amazônia e a exposição dos produtos da região, isso mudou”, conta sócio e diretor comercial  da empresa, Galeno Galrão.

Biscoitos doces e salgados, geleias, chocolates, molhos de pimentas são alguns produtos da empresa que tem suas embalagens assinadas pela artista plástica Joana Lira,   que remetem a cultura da floresta.

 

Farinha de mandioca produzida por comunitários de Uarini-AM é vendida no site Americanas.com 
Óculos de sol em madeira da Amazônia tem designer inovador e custa R$ 329,90 no site Americanas.com 

Panetone Frutos da Floresta, da empresa paulista, custa R$ 54,80 no site www.frutosdaamazonia.com.br 

Cesto de fibra de Cauaçu, da marca Teçume D’Amazônia, é produzido pelas artesãs da Comunidade São João de Ipecaçu

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