Quinta-feira, 13 de Agosto de 2020
Amazônia

Fábrica de Barcelos vai vender água da Amazônia na Europa

Empresa amazonense lança projeto ousado de comercializar água da umidade do ar da Amazônia para o mercado europeu por 67 euros a garrafa de 750ml. Isso significa de R$ 306 na cotação atual do euro



WhatsApp_Image_2019-12-05_at_06.42.43__1__FC0A940D-300A-4943-B2E6-029E27F27F3A.jpeg A água especial é envasada em garrafas de vidro de 750ml, com embalagem importada da Rússia. Foto: Divulgação
08/12/2019 às 08:22

Com o lema “Beba, respire e viva” a empresa ‘Ô Amazon Air Water’ anuncia que o início das vendas de garrafas com água mineral, produzidas com a umidade da floresta amazônica, está previsto para a próxima segunda-feira, dia  9 de dezembro. Ao A CRÍTICA o fundador da empresa, Cal Junior, disse que a proposta da empresa é contribuir com o desenvolvimento sustentável da Amazônia  e gerar empregos, sem impactos ambientais.

De acordo com Cal Junior, a água mineral vai ser vendida, dentro de garrafas de vidro de 750 ml, por € 67 (euros) em um mercado aberto na França e para todos os países na plataforma e-Commerce. “Essa primeira safra estamos chamando de ‘Onça Pintada Edition’, onde 10 mil unidades serão colocadas no mercado para ativação de marca. Mas a nossa meta é chegar a 6 milhões de garrafas comercializadas,  em dois anos após o lançamento ”, frisou o empresário.



Cal acrescentou que ao atingir a meta de produção, a empresa pode chegar ao faturamento de e € 180 milhões. Ele também explicou à reportagem que a empresa ‘Ô Amazon Air Water’ é localizada no município de Barcelos (a 496 quilômetros de Manaus) e utiliza uma tecnologia própria de condensação para a produção da água potável.

 “A partir da tecnologia AWG (Atmosferic Water Generator), retiramos a água da umidade do ar e a tornamos própria para o consumo humano. Hoje temos parceria com uma indústria chinesa, mas já fizemos intervenções na máquina e estamos patenteando a tecnologia”, disse o empreendedor.

Segundo o empresário, o produto faz parte de um mercado de ‘águas raras’ e cumpre uma função social. Cal destaca que muitos ribeirinhos não têm acesso à água potável e frisou, ainda, que em uma escala progressiva, a ‘Ô Amazon Air Water’ pretende doar galões de água mineral para 400 famílias de Barcelos.

“Junto às autoridades do município, criamos o coeficiente ‘Galão 20 litros’, onde teremos o cadastro de pessoas em situação de vulnerabilidade da cidade, por onde vamos fazer as doações. Quando doamos água mineral para eles, estamos proporcionando saúde”, ressaltou o empreendedor.

 

Vista das instalações da empresa Ô Amazon Air Water, às margens do rio Negro, em Barcelos

 

Impacto Zero no Meio Ambiente

O fundador da empresa salientou que a área das instalações possui 1,75 milhão de metros quadrados, e acrescenta que a preservação da floresta será total. De acordo com o empreendedor, toda a energia utilizada na produção será solar.

“A nossa empresa visa o desenvolvimento sustentável. Os ar-condicionados causam mais impactos do que a nossa tecnologia em Barcelos”, frisou. Além disso, Cal afirma que a empresa vai gerar 120 empregos diretos e indiretos, em três estágios de implantação. Um fundo social será criado com a doação de parte do valor das vendas para a formação educacional profissionalizante

Reconhecimento no mercado de águas finas

O alemão Martin Riese, que é o principal especialista e degustador de águas do mundo, postou nas redes uma mensagem sobre a empresa, na última quarta-feira (4). O sommelier disse que ficou entusiasmado com o produto.

“Água do ar? Sim, é possível e recebi a primeira edição exclusiva da ‘Ô Amazon Air Water’ do Brasil. A empresa condensou a água da floresta amazônica, a região com uma das melhores qualidades de ar do planeta. Muito emocionante!”, frisou o especialista.

Ranking

A Agência Nacional das Águas (ANA) afirma que longo do ano, o Brasil envia ao Exterior cerca de 112 trilhões de litros de água doce. Segundo dados da Unesco, essa quantidade equivale a quase 45 milhões de piscinas olímpicas ou mais de 17 mil lagoas do tamanho da Rodrigo de Freitas.

A ANA salienta que os litros são o total dos recursos hídricos necessários para produzir essas commodities. E colocam o país como o quarto maior exportador de "água virtual", atrás apenas de Estados Unidos (314 trilhões litros/ano), China (143 trilhões litros/ano) e Índia (125 trilhões litros/ano). A exportação desse recurso, ainda que indiretamente, tende a crescer num cenário de escassez global, pressionando o país a pensar em políticas públicas voltadas à gestão hídrica.


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