Domingo, 07 de Junho de 2020
INTERIOR

TJ-AM autoriza quebra de sigilo bancário de prefeito de Eirunepé

Raylan Barroso (DEM) é investigado pelo Ministério Público do Estado por supostamente liderar uma organização criminosa no município



WhatsApp_Image_2020-03-26_at_16.54.13_D0596F2C-4D40-414B-8FC3-F2CD491203B7.jpeg Foto: Divulgação
26/03/2020 às 17:06

O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) autorizou, no dia 12 deste mês, a quebra do sigilo bancário e fiscal do prefeito de Eirunepé (distante 1.159 quilômetros de Manaus), Raylan Barroso (DEM), de empresários, funcionários públicos e empresas privadas. Raylan Barroso é investigado pelo Ministério Público do Estado (MPE-AM) por supostamente liderar uma organização criminosa no município.

A decisão do desembargador do TJ-AM José Hamilton Saraiva dos Santos, autoriza o MPE-AM a dar continuidade às investigações que apuram suposta existência de organização criminosa em Eirunepé, sob a coordenação do prefeito Raylan Barroso.



As investigações apontam que a organização estaria infiltrada em diversos órgãos públicos locais, a exemplo da Secretaria de Finanças, da Controladoria-Geral do Município e da Comissão de Licitação.

A investigação do MPE-AM vai além e apura, também, lavagem de dinheiro ou ocultação de bens, direitos e valores oriundos de recursos públicos municipais. Além disso, o órgão aponta Barroso como o maior articulador e beneficiário do esquema, sendo responsável pelos acertos com fornecedores e empresários. 

De acordo com a investigação do Ministério Público, o prefeito ostenta um padrão de vida completamente incompatível com a renda do cargo, possuindo imóvel de luxo em Manaus, terreno no bairro Ponta Negra, em Manaus, diversos veículos, algumas motocicletas, além de haver construído imóvel de altíssimo custo em Eirunepé. 

Além disso, as investigações indicam que o prefeito de Eirunepé distribui cargos comissionados para parentes de vereadores da base aliada, com visível acréscimo patrimonial incompatível com os seus rendimentos.

A decisão do desembargador do TJ-AM determina que a Receita Federal faça um dossiê completo e integrado com todas as bases disponíveis para cada investigado, no prazo de 30 dias a contar do dia 12.

A decisão também determina que a Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), no prazo de 30 dias, possa verificar o total das operações realizadas com cada um de seus fornecedores e clientes, assim como todos os lançamentos realizados em nome das empresas referidas.

Outro lado

O prefeito Raylan Barroso disse ao jornal A Crítica que as denúncias movidas contra ele são motivadas por disputas políticas entre vereadores do município. Ele afirma que os responsáveis pela denúncia foram três vereadores do município, que fazem oposição a ele na Câmara de Eirunepé.

Ele se defendeu afirmando que vai solicitar que os órgãos investiguem desvios de outras gestões. “Estou incomodando porque estou de bem com a população. Estou empregando gente e a cidade, hoje, é totalmente diferente daquela que eu encontrei”, disse o prefeito.

Sobre sua evolução patrimonial, Raylan Barroso afirma que seu patrimônio é lícito. “O que eles falam do imóvel, que eu teria comprado uma mansão, no valor de R$ 5 milhões, já dei entrada na justiça mostrando que o terreno era meu antes”, disse o prefeito, acrescentando que ainda não teve acesso ao processo, que corre em segredo de justiça.


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