Sábado, 05 de Dezembro de 2020
DESCOBERTA HISTÓRICA

Nasa anuncia que descobriu água no lado claro da Lua

A água detectada está localizada na Cratera Clavius, uma das maiores visíveis da Terra, no hemisfério sul da Lua



1200px-FullMoon2010_62D628B4-108C-41F7-92C7-7376865980D7.jpg Foto: Divulgação
26/10/2020 às 13:12

Em anúncio feito à imprensa nesta segunda-feira (26), a Nasa confirmou a descoberta de água no lado claro da superfície da Lua. Até hoje, cientistas só haviam detectado água em estado sólido (gelo) no lado escuro do satélite natural da Terra, onde o Sol nunca bate e as temperaturas chegam a 184 graus Celsius negativos.

No lado claro, por sua vez, a temperatura pode ultrapassar os 200 graus Celsius. A agência espacial destaca que foram detectadas moléculas de água (H20), mas não se sabe em que estado. De acordo com análises iniciais, é mais provável que seja em forma de vapor preso no solo, e não gelo, como já se viu antes, ou líquido, como na Terra.



A descoberta foi feita por meio do Observatório Estratosférico de Astronomia Infravermelha (Sofia, na sigla em inglês), um observatório com um telescópio de nove pés (2,74 metros) montado em um avião Boeing 747, que voa alto na atmosfera, permitindo a obtenção de uma visão mais ampla do sistema solar e do universo. Trata-se de uma iniciativa conjunta entre Nasa e o Centro Aeroespacial Alemão.

A água detectada está localizada na Cratera Clavius, uma das maiores visíveis da Terra, no hemisfério sul da Lua. Hidrogênio já havia sido detectado na região anteriormente, mas não se sabia se era água (H2O) ou hidroxila (OH). Os dados indicam que a água descoberta pelo Sofia equivale a 350 mililitros presa em 1 metro cúbico de solo. Como comparação, o deserto do Saara tem 100 vezes mais água do que foi descoberto na Lua.

Mas esta água não está concentrada em só uma porção de solo. Os cientistas da Nasa acreditam que cerca de 40 mil metros quadrados da superfície lunar têm a capacidade de aprisionar água. Também não é suficiente para garantir se a Lua já teve formas de vida ou condições de abrigar vida no passado.

"Sem uma atmosfera espessa, a água na superfície lunar que recebe luz do sol deveria se perder no espaço", explicou Casey Honniball, pesquisadora da Nasa e da Universidade do Havaí, autora do estudo que confirmou a existência de H20 na Lua. "No entanto, de alguma forma, estamos vendo [água na Lua]. Algo está gerando-a e algo deve estar prendendo-a ali."

Também não se sabe ainda como essa água foi parar lá. As hipóteses mais prováveis são de que moléculas de H2O tenham se formado graças aos ventos solares que levam hidrogênio para várias partes do sistema solar; ou que elas tenham sido trazidas por micrometeoritos que se chocaram com a Lua ao longo de milhões de anos.

Missão Artemis

"Não sabemos ainda se podemos usá-la como um recurso, mas aprender sobre a água na Lua é a chave para nossos planos de exploração no programa Artemis", afirmou Jim Bridenstine, administrador da Nasa, em referência ao projeto de levar astronautas de volta ao satélite nos próximos anos.

"A água é um recurso valioso, tanto para fins científicos quanto para uso de nossos exploradores", disse Jacob Bleacher, cientista-chefe de exploração da Nasa. "Se pudermos usar os recursos da Lua, poderemos carregar menos água e mais equipamentos para ajudar a possibilitar novas descobertas científicas."

O programa Artemis é nomeado em referência à deusa grega da Lua, irmã de Apolo, que batizou a primeira missão tripulada da Nasa ao satélite natural da Terra na década de 1960. O retorno será dividido em três missões que devem começar já em 2021.

Em novembro de 2021, a missão Artemis 1 enviará uma nave não tripulada à Lua. Já em 2023, a Artemis 2 deverá levar seus primeiros astronautas para a órbita lunar. E, por fim, a Artemis 3 levará a primeira mulher, junto a um homem, a tocar o solo da Lua novamente.

Segundo estimativa da agência espacial, a operação deve custar, ao todo, US$ 28 bilhões e servirá como primeira etapa de uma missão maior: a de levar astronautas para Marte.

 


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