Sexta-feira, 26 de Novembro de 2021
Aniversário de Manaus

'Meu foco mesmo é Manaus', afirma lutador de MMA que precisou se reinventar durante a pandemia

Aos 36 anos, Robert Pato afirma que teve muitas oportunidades de deixar a capital, mas preferiu ficar perto da família, principalmente nos últimos dois anos



Sem_titulo_A645D6B7-085C-45B0-975A-3BEBDC09A967.jpg Foto: Gilson Mello
23/10/2021 às 10:52

Treinar, lutar, se destacar, alcançar um “lugar ao sol” em um grande evento e sair da sua cidade, ou até mesmo país, para ir ainda mais longe na carreira. Talvez estes sejam alguns dos vários objetivos de jovens lutadores de MMA pelo mundo, que sonham com uma carreira dentro da modalidade. No entanto, isto talvez não se aplique a Robert Fonseca, ou como é mais conhecido, ‘Robert Pato’, um manauara de 36 anos que fez – e ainda faz – seu nome neste tão competitivo esporte, mas que ao contrário de muitos, preferiu manter-se em sua terra natal.

Em conversa com A Crítica, o lutador revelou que desde a sua primeira luta como profissional, lá em 2004, até hoje, não foram poucas as oportunidades que surgiram para que ele – que atualmente, segundo o site Sherdog, possui um cartel 12 vitórias e apenas quatro derrotas – deixasse Manaus e fizesse carreira em outra cidade ou país. 



“Na verdade eu viajei, cheguei ir para Las Vegas para treinar na academia do Randy Couture [ator e lutador], também viajei para treinar na academia do meu mestre, Renzo Gracie, e acabei ficando lá por um tempo, período que acabei fechando com o evento PFL [Professional Fighters League]. Mas o meu foco mesmo é Manaus. Todo mundo me pergunta por que não viajei e fui para fora, tem um monte de lutadores morando fora que, graças a Deus, não tem o que eu conquistei. Assim, tudo no tempo de Deus, recebi proposta, em 2010, para morar em Abu Dhabi, mas achamos [ele e sua família] melhor ainda ficar por aqui. Acho que fiz a escolha certa, tenho meu trabalho de personal, e estou muito bem aqui”, relata o atleta.

A vida em Manaus rendeu ao lutador um casamento e dois filhos, além da possibilidade de manter-se próximo de seus demais familiares. Para ele, a vida na capital lhe deu alguns de seus momentos mais marcantes ao longo destes 36 anos, como o convívio com a avó, uma segunda mãe para ele e que faleceu ainda no início deste ano.

“Eu sou muito família. Minha avó morreu há seis meses, ela era como uma segunda mãe, e acho que se estivesse morando fora não teria convivido tanto com ela [em seus últimos dias]. Então , eu prezo muito pela família, então o quanto eu puder eu vou estar sempre ao lado deles”, afirma.

 

A Pandemia

 

Dos cerca de 20 anos de carreira dentro do MMA, os últimos têm sido de bastante luta pessoal. Isso porque ele acabou tendo uma grave lesão que o deixou fora dos ringues de 2017 a 2019, sendo que o seu retorno resultou em uma nova lesão, que o deixou fora de combate por mais um longo período. Quando se recuperou e estava pronto para voltar às lutas, a pandemia do novo coronavírus estourou no mundo, e ele, que convivia diariamente nas academias, precisou dar um tempo e ficar em casa.

“Em outubro de 2019 fiz minha última luta na Europa. Saí daqui quase com o tendão rompido, mas fui lutar assim mesmo, porque era a luta principal do evento e queria fazer ela, nesse que era o segundo maior evento da Europa, e estava recebendo muito bem. Quis fazer, mas acabei pagando o preço. Tomei um chute na panturrilha e deixou o meu tendão por um fio. Acabei tendo que ficar seis meses parado por conta disso e quando foi em março [de 2020] voltei para fazer fortalecimento e quando terminei ele, estourou a pandemia. De certa forma foi bom porque tive um tempo a mais para a recuperação do meu tendão”.

Mesmo com um tempo maior para se recuperar totalmente da última lesão, Robert precisou iniciar um processo de reinvenção profissional por conta do isolamento social. Mesmo em casa, o manauara procurou estabelecer uma rotina de treinos para manter a forma, além de adaptar suas aulas como personal trainer. 

“Mantive os treinos em casa, tanto que levei um saco de Box para casa e fiquei treinando lá. As aulas particulares passaram a ser on-line, e foi um período bem complicado porque estava sentindo falta daquela minha rotina de treino. Foi ruim porque estava em tratamento e a expectativa para voltar era grande, mas aí teve esse problema. Para a gente, que trabalha com saúde, é muito complicado, porque a gente se vê em um cenário completamente atípico do que a estávamos acostumados a conviver – que é de treino, academia lotada, sparring, porrada para tudo quanto é lado, aquele calor humano. Senti muito também quando voltei [atividades nas academias], porque não tinha material humano, as pessoas estavam com receio, então foi bem complicado. Agora a gente meio que vai vendo a luz no fim do túnel e as coisas estão começando a voltar ao normal”, relata.aniversáro.

 

Vitória em Casa

 

Nesta quinta-feira (21) desta semana, após longos dois anos, Robert Pato voltou aos ringues e em grande estilo. Contra Josemberg Freitas, Pato fez a principal luta do Shooto Brasil, realizado em Manaus, e venceu com um nocaute técnico com menos de dois minutos do primeiro round. A vitória mantém o seu cartel com ótimo aproveitamento, principalmente contra adversários da própria cidade, com quem ele admite manter uma rivalidade saudável.

“Antigamente tinha muito isso, Campos Elíseos x Ajuricaba, Alvorada x Dom Pedro, para saber qual era o melhor bairro, conjunto. Vivi e convivi com isso por muito tempo, não queria perder para ninguém, e hoje, graças a Deus, tenho mais vitórias do que derrotas. Já lutei contra muito manauara, tanto no Jiu-jítsu quanto no MMA, e o saldo é mais positivo que negativo”, finaliza.


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