Quinta-feira, 16 de Setembro de 2021
Caso em Aberto

‘Massacre do Abacaxis’ completa um ano e grupos cobram resolução do caso

Seminário realizado por organizações civis busca relembrar os mortos na ocasião e cobrar resolução do caso pelo poder público



WhatsApp_Image_2021-08-04_at_14.41.40_C60D3814-0953-4BC8-A456-B665C0472FF7.jpeg Foto: Junio Matos
04/08/2021 às 15:10

Um ano após o conflito que resultou na morte de ribeirinhos e indígenas das terras Maraguá e Coatá-Laranjal e da região dos rios Abacaxis e Marimari, nos municípios de Borba e Nova Olinda do Norte, no Amazonas, integrantes de organizações da sociedade civil clamam pela celeridade das investigações e apuração acerca do caso ocorrido em agosto do ano passado.

Os pedidos de justiça e celeridade nos processos, além da celebração da memória dos mortos, foram os temas centrais do seminário “Um ano do massacre do Abacaxis: Haverá justiça?”, realizado desde a terça-feira (3), de modo online e presencial, na sede do Conselho Nacional das Populações Extrativistas, Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação (SARES), no bairro Aparecida, zona Sul de Manaus.

De acordo com o coordenador do Sares, padre Paulo Tadeu, o intuito da ação não ocorreu somente para relembrar as pessoas que morreram durante o conflito, mas também chamar a atenção de autoridades públicas para a resolução do caso, que teve envolvimento da Polícia Militar do Amazonas.

Coordenador do Sares, padre Paulo Tadeu (Foto: @Junio Matos)

“Nós achamos que a Policia Militar levou à morte desses dois seres humanos. Até hoje ninguém foi identificado totalmente e os ribeirinhos choram a perda dos familiares. Então, essa ação truculenta não se pode fazer mais, amanhã isso pode se repetir e não é isso que nós queremos”, comentou.

“Que a Policia Militar possa rever certas ações. Eles poderiam ter chegado lá, consultado as famílias pedindo maiores informações e isso não aconteceu, nós estamos aqui fazendo a memória para que continue as investigações e que a justiça aconteça. Nós não deixaremos passar em silencio”, disse.

Segundo a integrante do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Luiza Machado, até então, não há informações concretas a respeito do andamento das investigações, o que faz com que as organizações busquem por justiça.

“Passado um ano e a gente se pergunta: será se essas organizações de fato estão empenhadas em solucionar o caso? Em promover a segurança das populações da região? Por que nada foi feito ainda. As investigações estão correndo, mas ainda não tivemos ninguém responsabilizado”, destacou.

Integrante do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Luiza Machado (Foto: Junio Matos)

“A cúpula de Segurança Pública do Amazonas continua a mesma, os agressores dessas pessoas continuam lá e mais do que isso, a região enfrenta o agravamento do problema pelo descaso. A gente tem registro de pessoas que foram torturadas após a saída da Policia Federal e da Força Nacional. A gente tem mantido conversas com órgão públicos, mas não temos sido atendidos”, reforçou ainda.

De acordo com o que foi apurado pelo Ministério Público Federal (MPF), naquela época, o conflito iniciou após moradores das comunidades ribeirinhas da região terem denunciado o uso do rio Abacaxis para pesca esportiva sem licença ambiental, o que culminou em suposto atentado contra um dos tripulantes.

Por conta disso, instaurou-se um clima de tensão na região, o que levou a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) a enviar efetivos policiais para a área. O conflito, que teve envolvimento da Polícia Militar do Amazonas, resultou na morte de dois indígenas Munduruku e três ribeirinhos, além do desaparecimento de dois adolescentes. Dois policiais do Comando de Operações Especiais (COE) também foram mortos durante o ocorrido.

À época, a SSP-AM havia informado que a operação visava desarticular uma organização criminosa que atua no local com a prática de tráfico de drogas, ameaças, homicídios e crimes ambientais.

PROGRAMAÇÃO DO SEMINÁRIO

A programação iniciada na terça-feira (3), iniciou com uma mesa de diálogo com os relatos de quem viveu a tragédia e o contexto sociopolítico no Amazonas. A atividade teve a participação do bispo da Arquidiocese de Manaus, Dom Leonardo Steiner, e de lideranças indígenas e ribeirinhas da região.

À tarde, os representantes das organizações se reuniram com órgãos competentes a fim de entenderem sobre o andamento dos procedimentos jurídicos instaurados. E nesta quarta-feira (4), foi realizada uma Celebração Ecumênica em homenagem às vítimas do massacre.

O Seminário teve a participação de inúmeras organizações da sociedade civil como a Arquidiocese de Manaus, Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Conselho Nacional das Populações Extrativistas, Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação (SARES) e Articulação das Pastorais do Campo.



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Repórter de Cidades
Jornalista formada pela Uninorte. Apaixonada pela linguagem radiofônica, na qual teve suas primeiras experiências, foi no impresso que encarou o desafio da prática jornalística e o amor pela escrita.

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