Sábado, 08 de Maio de 2021
FINANÇAS

Famílias da Região Norte preveem 2021 apertado de dinheiro

Pesquisa mostra que, para maior parte das famílias, situação financeira em casa só vai melhorar no ano que vem



economia_na_pandemia_647B879D-818B-45A8-8676-36B90A282EA1.JPG Arquivo/A Crítica
05/04/2021 às 11:23

Quase metade dos brasileiros que vivem na Região Norte acredita que as finanças da família só deverão melhorar a partir do ano que vem. Os que acreditam que essa recuperação acontece ainda em 2021 somam menos de um terço da população.

As conclusões são da nova pesquisa Radar Febraban que a entidade e o Ipespe lançam este mês, com um levantamento inédito realizado com 3 mil pessoas maiores de 18 anos em todo o país na primeira semana de março deste ano.



“As camadas da população mais afetadas pela crise sanitária na Região Norte correspondem àquelas que o foram em um todo país. Os trabalhadores que perderam emprego, aqueles que viram sua venda diminuir, os micro e pequenos empresários. Quem trabalha quer como empresário ou trabalhador nos setores de eventos, cultural e hoteleiro foram duramente atingidos. Infelizmente, as perspectivas de recuperação também para esses setores são mais lentas, mais demoradas e se espera que aos poucos eles consigam atingir limites próximos ao seu padrão de faturamento anterior”, explica Antonio Lavareda, presidente do Conselho Científico do Ipespe. Ele defende a vacinação em massa como saída para a crise.

Segundo o Radar Febraban, 49% dos entrevistados na Região Norte acreditam que a situação das finanças da família só deve melhorar no próximo ano. No Brasil como um todo esse índice é de 54%, demonstrando um otimismo um pouco maior na região.

Os que acreditam na recuperação das finanças familiares ainda este ano na região Norte perfazem 29%, contra uma média nacional de 23%. Ainda na região, 66% pensam que o Brasil não terá recuperação econômica em 2021. Em relação aos dados nacionais, esse índice atinge 75%.

Outras dificuldades

Os prognósticos sobre desemprego, acesso a crédito, taxa de juros, inflação e poder de compra da população também são predominantemente negativos: 70% acham que o desemprego vai crescer, a mesma média da pesquisa nacional. Outros 73% preveem o aumento da inflação e do custo de vida (80% é a média nacional); também 73% dos entrevistados acreditam que a taxa de juros vai aumentar (76%, nacional); e 55% vislumbram a diminuição do poder de compra das pessoas (64%, nacional).

“A crise de saúde provocada pela pandemia atingiu em cheio a economia global, e com especial impacto no Brasil que já vinha tentado se reerguer após sucessivos anos de baixo crescimento. Grande parte das famílias tem ou teve que conviver por um longo período com perdas financeiras, esvaziamento das reservas, redução salarial, desemprego. Diante de tantas dificuldades enfrentadas, não é de estranhar o pessimismo quanto à recuperação financeira das pessoas e do país”, avalia o cientista político Antonio Lavareda.

“FGTS que acumulei me segurou”

O administrador Andre Oliveira, 43, que está desempregado há um ano, é um dos amazonenses que não acredita que a situação financeira dele se resolva este ano. “O que me segurou foi o FGTS que acumulei ao longo dos anos. Deu para aguentar as contas da casa por cerca de seis meses. Tinha também uma reserva para eventualidades que tive que lançar mão para poder manter as prestações da casa, energia e água em dias”, disse.

Quando a primeira onda de covid-19 passou em Manaus, o administrador, que também tem curso técnico em informática, buscou trabalhar prestando serviços com recuperação de equipamentos, manutenção e instalação de computadores e softwares. Os serviços ajudaram a pagar as contas, mas André continuou atrás de emprego na sua área de formação acadêmica.

“Não tinha mais como prestar o serviço. E muita gente se assustou com a segunda onda e decidiu deixar para depois qualquer conserto da área de informática”, disse o administrador. Na avaliação dele, as coisas só vão melhorar com a vacinação e a plena reabertura das atividades comerciais.

Pessimismo geral

A crise econômica potencializada pela pandemia deixou pessimista a maioria dos brasileiros, em especial a população do Sul (60%) e do Nordeste (59%). Esse sentimento também predomina nas demais regiões: Sudeste (52%), Norte (49%) e Centro-Oeste (44%). Por outro lado, os maiores percentuais de otimistas que acreditam que vão se recuperar financeiramente ainda em 2021 estão no Centro-Oeste (32%) e no Sul (29%).

Sobre a economia brasileira, é ainda maior, em todas as regiões, a expectativa de recuperação apenas a partir de 2021. No Sul esse percentual chega a 84%. As pessoas também apostam em outras dificuldades para os próximos seis meses: aumento desemprego, principalmente no Nordeste (72%) e no Sudeste (70%); aumento da inflação e do custo de vida, sobretudo no Centro-Oeste e Sul, ambos com 84%; crescimento da taxa de juros, chegando a 80% no Nordeste; diminuição do poder de compra das pessoas com destaque para o Centro-Oeste (69%) e o Sul (67%).

Caso a situação financeira melhore e as pessoas tenham reservas, a preferência de investimento difere entre as regiões. No Norte, aplicar na poupança (36%), melhorar a educação da família (32%) e fazer outros investimentos bancários (30%) são apontados como prioridades. O mesmo acontece no Sudeste: 33%, 26% e 26%, respectivamente.

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