Sexta-feira, 26 de Novembro de 2021
MEIO AMBIENTE

Expedição no Rio Solimões faz levantamento populacional dos botos da Amazônia

Primeira etapa da pesquisa identificou 1,4 mil botos rosa e 1,3 mil botos tucuxi



WhatsApp_Image_2021-10-23_at_13.25.06_420060B3-5574-4625-BBA5-3FE3405F27F1.jpeg Foto: Arlesson Sicsú
23/10/2021 às 12:28

A ‘Expedição Boto da Amazônia’ chegou a Manaus, nesta sexta-feira (22), após 22 dias em meio ao Rio Amazonas. A campanha sobre a tendência populacional dos botos cor de rosa e tucuxi reuniu cientistas da Sea Shepherd Global no Brasil e Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Nesta primeira etapa da pesquisa foram identificados 1.400 botos e 1.300 tucuxis na Amazônia. 

Os botos da Amazônia estão em grande risco de extinção. A partir de estudos, estima-se que a população destes botos cai pela metade a cada 9 ou 10 anos. Dentre outros fatores, a pesca acessória destes animais, e intencional para uso de suas carnes como isca da pesca da piracatinga, ilegal no Brasil, contribuem com este resultado.



É a primeira pesquisa idealizada pela Sea Shepherd no Brasil. O estudo, no geral, tem como objetivo aprofundar o conhecimento da preservação da espécie, disseminar conhecimento a partir de engajamento educacional com comunidades locais, e expandir a conversa sobre a preservação destas espécies para o Brasil e o mundo. 

Segundo a CEO da Sea Shepherd Brasil, Nathalie Gil, a pesquisa é inovadora, pois esse é o primeiro estudo de longo prazo que percorrerá vários pontos do Rio Amazonas, e não apenas em uma pequena área, tornando possível uma melhor avaliação do verdadeiro estado de conservação dessas espécies.  

“Nesta primeira etapa, percorremos diferentes pontos do Rio Solimões, passamos por áreas não protegidas, onde identificamos um déficit maior dessas espécies, mas também passamos por duas Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS), em que a conservação acontecia. Então, será um estudo populacional de três anos abrangendo duas expedições por ano cobrindo quatro pontos do rio Solimões, resultando em um total de seis expedições, 3.000 km percorridos e 100 dias de observação”, enfatizou. 

Principais pontos observados 

Segundo os pesquisadores, a pesquisa identificou o boto rosa, como é popularmente conhecido, ou boto amazônico (Inia geoffrensis) e o tucuxi (Sotalia fluviatilis), como espécies que constam na lista de risco crítico de extinção pela International Union for Conservation of Nature (IUCN). Dessa forma, passam a receber a proteção ambiental que necessitam na região.

A chefe da expedição e pesquisadora do INPA, Sannie Brum, destacou os principais aprendizados nesses 22 dias. 

“Precisamos ser prevenidos e entender realmente o que está acontecendo. Caso isso não aconteça, temos o risco de perder as espécies sem ao menos entender o que levou a isso. Aqui na Amazônia, temos o costume de achar que possuímos uma imensidão de botos, principalmente se formos falar os números de contagem. Podem parecer muito, mas em comparação aos tamanhos percorridos não é”, disse.

Outro ponto observado foi o contraste nas localidades onde passaram, sendo possível até presenciar uma pesca ilegal no município de Manacapuru (a 70 km de distância de Manaus). No município, encontraram dois tucuxis mortos, algo que não havia sido vivenciado por nenhum pesquisador da expedição. 

“Em áreas de pesca como Manacapuru, em que deveria ter uma grande quantidade de peixes, não encontramos nada. Isso é muito chocante, mas em compensação tivemos surpresas boas, quando chegamos a RDS Mamirauá e observamos que ali realmente existe uma conservação”, destacou Sannie Brum. 

O resultado final da primeira etapa saíra daqui 30 dias, com o balanço geral, números e dados observados ao longo desses 22 dias.

Repórter de A Crítica

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