Sexta-feira, 25 de Setembro de 2020
ALTA PATENTE

Ex-comandante militar da Amazônia irá assumir cargo no Ministério da Defesa

César Augusto Nardi passou o comando ao general de Exército Estevam Cals de Oliveira, em cerimônia realizada na sede do Comando em Manaus



cma1_7D61E29C-22E2-421E-AF5C-CA02632E121E.JPG Foto: Arquivo AC
27/01/2020 às 08:56

O comandante do Comando Militar da Amazônia (CMA), César Augusto Nardi, passou o comando ao general de Exército Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira, em cerimônia realizada em Manaus.

Nardi, oficial com experiência no comando de unidades de Forças Especiais e comandos, irá para o Ministério da Defesa. No dia 5 de fevereiro, ele se apresentará em Brasília (DF). Será o chefe da Chefia de Assuntos Estratégicos (CAE), um posto de alta relevância no meio militar.

À frente do CMA, Nardi fortaleceu a instituição com seu estilo pragmático e disciplinado focado no desenvolvimento dos 24 Pelotões Especiais de Fronteira e no relacionamento com a tropa em todas as áreas, especialmente, na linha de frente no combate aos crimes na faixa de fronteira, como o narcotráfico.



Em sua gestão de dois anos, mais de 13 toneladas de drogas foram apreendidas. Ação que impactou diversas rotas de transporte da cocaína, maconha e outros tipos de drogas, na maior bacia hidrográfica do mundo, na Amazônia Ocidental (Amazonas, Rondônia, Acre e Roraima), onde mais de 20 mil militares estão sob seu comando.

Seu substituto, Estevam Theophilo provém de uma das mais tradicionais famílias militares do Brasil. Seu irmão Guilherme Theophilo, hoje secretário Nacional da Segurança Pública, também foi comandante do CMA. 

O general Nardi, por sua vez, está entregando o posto de comando mais operacional do Exército em área de selva, a um oficial de perfil clássico e conhecido pelo brilhantismo tático e profundo conhecimento da Amazônia. “Comandar o CMA é uma das mais nobres missões, por tudo que ele representa de vanguarda, em uma das áreas mais operacionais do País. Aqui, estamos na linha de frente defendendo a pátria”, destacou César Augusto Nardi.  

General, como é comandar o CMA? 

Foram dois anos bem intensos. Atuamos no controle de uma fronteira com mais de 9 mil quilômetros em ambiente de selva, grandes rios, logística complexa, conduzindo o preparo da tropa e enfrentando os crimes ambientais e transnacionais, como o tráfico de drogas. Sempre há risco em nossas operações e nossas tropas entraram algumas vezes em confronto com criminosos.

E como é feito este combate contra o narcotráfico na área de fronteira (onde o Exército tem poder de polícia em uma faixa de 150 quilômetros)?

Com trabalho de equipe e integração com a Força Aérea Brasileira, Marinha, Polícia Federal e demais agências dos Governos Federal e Estadual. A vanguarda são os 24 Pelotões Especiais de Fronteira e as Unidades de Fronteira, que com suas patrulhas e constantes operações especiais têm impedido que os narcotraficantes ocupem posições em nosso território. Tudo isso, no âmbito das quatro brigadas localizadas no Amazonas (2ª Brigada de Infantaria de Selva “Ararigbóia”, em São Gabriel da Cachoeira; e 16ª Brigada de Infantaria de Selva “das Missões” em Tefé; 1ª Brigada de Infantaria de Selva em Boa Vista, Roraima; e a 17ª Brigada de Infantaria de Selva de Porto Velho, em Rondônia).

E como são feitas essas operações?

Cumprimos as missões que nos são dadas dentro de um planejamento estratégico de defesa e também aquelas que surgem de forma inopinada, como foi a Operação Verde Brasil, no combate aos incêndios na floresta, e aos desmatamentos ilegais, exercendo o comando e controle na intensa fiscalização de áreas com elevado risco ambiental, como foi o caso recente. Empregamos tropas para combater os incêndios, helicópteros, aviões, barcos, monitoramento via satélite e sensores; e, em conjunto com os diversos órgãos e agências envolvidos, conseguimos diminuir os crimes ambientais, o fogo e o desmatamento nas áreas de nossa atuação, especialmente, na região Sul de nossa área de responsabilidade.

E como tem sido desenvolvidas as atividades de melhorias dos 24 Pelotões Especiais de Fronteira ?

Dentro da nossa dotação orçamentária e com nossa experiência e conhecimento da região temos avançado na melhora da potabilidade da água; na energia fornecida, buscando opções como a solar; na reestruturação de pistas de pouso; no fornecimento de pontos de internet em áreas remotas; no atendimento das populações indígenas e ribeirinhas, que vivem no entorno dos pelotões; nas remoções de feridos em helicópteros e aviões com serviços aeromédicos; no reaparelhamento dos materiais bélicos empregados no combate aos criminosos; e com intensificação das atividades de inteligência.

Mas com uma fronteira tão ampla entre a Bolívia, Peru, Colômbia, Venezuela e Guiana, como se pode impedir a entrada dos criminosos na área de atuação do CMA? 

Em 2020, inicia o trabalho de instalação do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras  (SISFRON) em 11 Pelotões Especiais de fronteira. É um trabalho de longo prazo, onde serão instalados sensores e outros equipamentos de detecção, que auxiliarão os pelotões no combate aos criminosos em áreas de difícil acesso nas áreas mais distantes dos rios e florestas da Amazônia e das nossas fronteiras.

Em seu comando houve a entrada de milhares de refugiados venezuelanos na região. O que foi feito para acolher esse contingente de estrangeiros?

Em Pacaraima, na fronteira com a Venezuela, em Roraima, foi montada a Operação Acolhida, apoiada pelo CMA e outros Comandos Militares de Área, onde milhares de venezuelanos foram acolhidos em acampamentos e, depois, encaminhados para o interior do Brasil, para que eles tivessem a oportunidade de trabalhar legalmente. Aqui no Amazonas, em Manaus, o Exército tem dado todo o apoio com barracas e orientações aos refugiados. Esta é uma questão que temos monitorado e agido, dentro do que nos foi orientado, para diminuir o sofrimento do povo venezuelano, que procura o Brasil fugindo de uma realidade difícil no país vizinho.

No seu comando foi criada e lançada a Rádio Verde Oliva do Exército, que tem seus estúdios no CMA. Como foi isso?

A Rádio Verde Oliva era um sonho antigo do CMA, que se realizou, depois de investimentos, planejamento, treinamento de pessoal e muita determinação. Hoje, estamos ampliando a nossa programação e temos a certeza que ela terá um papel social e militar muito importante para a sociedade amazonense.

Em sua gestão 14 militares formados pelo Cigs foram para a República Democrática do Congo, em uma operação da Missão de Paz da ONU, para serem instrutores das tropas deste contingente internacional. Como foi isso?

Sem dúvida nenhuma é motivo de orgulho do Exército Brasileiro ter em suas fileiras militares tão bem treinados em ambiente de selva, para serem instrutores em uma importante missão de paz da ONU na África. Isso atesta, mais uma vez, que o Cigs é o mais importante centro de formação de guerreiros de selva do mundo. Ele está subordinado ao CMA, o meu comando, que estou passando ao general Estevam Theophilo.

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