Quinta-feira, 22 de Abril de 2021
Linha de frente

Trabalhadoras da saúde relatam múltiplas jornadas na pandemia

Atuando na linha de frente do enfrentamento à Covid-19, mulheres relatam rotinas de superação, atenção ao próximo e dedicação à profissão



SERVICOSGERAIS_ELINEIA_C50F455F-9A52-40D4-9840-9C374ED8FFC6.jpeg Foto: Divulgação
07/03/2021 às 18:14

A enfermeira do Serviço de Pronto-Atendimento (SPA) da Zona Sul, Eliza Tavares Oliveira, de 33 anos, divide-se entre o trabalho na unidade de urgência e emergência em Manaus e a rotina de mãe e esposa. Eliza é uma das muitas mulheres com múltiplas jornadas na pandemia. 

“Nos transformamos em verdadeiras heroínas. Deixamos nossos filhos e familiares em casa e damos a vida pelo outro, além de lutar também pelos nossos. Quando saímos da jornada de trabalho, somos mãe, esposa, ajudamos nas atividades escolares, cuidamos da casa, entre outras coisas. Ser mulher é motivo de orgulho”, disse a enfermeira. 



Profissional de saúde há cinco anos, Eliza está na linha de frente da Covid-19 desde o início da pandemia. A enfermeira, especialista em ginecologia e obstetrícia, começou a trabalhar no enfrentamento à doença na Maternidade Nazira Daou e desde julho de 2020 atua nos atendimentos de urgência e emergência do SPA. 

Entre os desafios pessoais e profissionais, ela enfatizou o medo de se contaminar e transmitir o novo coronavírus para os filhos, duas crianças de dois e seis anos, e para o marido.  

“Trabalhar na pandemia é uma mistura de sentimentos: o desejo de ajudar as pessoas e o medo de se contaminar. Seguir forte lutando pelas vidas. Embora eu não tenha nenhum vínculo afetivo com os pacientes, sou humana e entendo o sentimento e preocupação dos familiares. Se fosse minha mãe, avó ou meu filho gostaria que tivessem a mesma assistência humanizada e holística. Mexe com o nosso lado emocional. É uma experiência que nunca vou esquecer”, disse. 

Maternidade - A enfermeira ressaltou que a jornada dupla da mulher em tempos normais foi acentuada com a pandemia, além da sobrecarga adicional de trabalho e emocional, com a demanda maior de atenção e de cuidado com os filhos pequenos. 

“Ainda amamento minha filha e quando estou em casa minha atenção é voltada para família. A rotina é cansativa, mas preciso ser forte. Com a pandemia, o lado feminino não aparece porque nos paramentamos. A maquiagem deu lugar à máscara e os cabelos estão guardados na touca. A vaidade da mulher fica de lado por um bem maior”, opinou. 

Experiência semelhante é vivida pela auxiliar de serviços gerais, Elineia Cunha, de 24 anos, que estava desempregada há três anos e há dois meses trabalha no Instituto da Mulher Dona Lindu. O deslocamento e o trabalho ocupam 14 horas do dia de Elineia que, ao chegar em casa, dedica-se à filha de dois anos. 

“Em momento nenhum pensei em desistir. Sempre penso na minha família. A rotina é cansativa. Nós, mulheres, somos fortes. Quando chego em casa toda atenção é para minha filha. Nós mulheres temos que lutar pelos nossos direitos. Quero sempre dar o meu melhor”, disse. 

Ainda que exercendo atividades em áreas distintos, alguns sentimentos as unem no enfrentamento à Covid-19. Conforme a enfermeira Eliza, a pandemia proporcionou novas experiências profissionais e pessoais.  

“Aprendemos a nos colocar mais no lugar do outro, entender a complexidade da situação de cada um. A saúde do Amazonas não será mais a mesma. Expandiu a estrutura física hospitalar do estado e nos preparou para as futuras situações. A pandemia vai ficar marcada na minha história profissional. Quero que os meus filhos tenham orgulho de dizer: minha mãe estava na linha de frente da pandemia e ajudou a salvar vidas”, finalizou. 

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