Sábado, 04 de Julho de 2020
Pesquisa

Região Norte lidera casos de Sars-Cov2 no Brasil; rio Amazonas é vetor

Dados da Universidade Federal de Pelotas são alarmantes e apontam uma subnotificação de casos positivos sete vezes maior daqueles relatados oficialmente pelo Ministério da Saúde



amazi_2EEAE325-03C4-4F80-BAF8-9E46E57C5DBF.jpg Foto: Divulgação
05/06/2020 às 18:32

Cientistas da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel) revelaram que a maior prevalência de pessoas com anticorpos do Sars-cov2, vírus que causa a doença do novo coronavírus,  está em um trecho de 2 mil km do Rio Amazonas, entre Belém, no estado do Pará, e o município de Tefé, no Amazonas. Na região Norte, o coronavírus viajou de barco e dormiu em rede.

Estudo publicado também revela uma incidência maior entre os povos indígenas, com 3,7%. Resultados obtidos sugerem que enquanto a doença avançou no Norte do país, a região Sul e Centro-Oeste encaram uma lenta progressão no número de pessoas que testaram positivo, e não necessariamente desenvolveram sintomas da doença.

A pesquisa realizou testes em 200 pessoas, divididas em 90 cidades do Brasil, em um total de 25,25 mil testes. 



Dados são alarmantes e apontam uma subnotificação de casos positivos sete vezes maior daqueles relatados oficialmente pelo Ministério da Saúde. O Brasil já é o segundo país em casos, com mais de meio milhão, e o terceiro em mortes, que passam de 30 mil. Estados Unidos ocupam a primeira posição.

Rios vetores

O transporte por meio dos rios já vinha sendo considerado por estudos científicos, principalmente publicados pelo Atlas ODS Amazonas, como principal vetor na propagação do vírus no AM. Entretanto, a pesquisa da Federal de Pelotas é uma das primeiras a avaliar o contágio para além dos indicadores de movimentação, já que utilizaram testes diretamente com uma amostra de pessoas locais. 

Característica comum da viagem por barco, o longo período nos rios demanda o dobro de cuidado dos passageiros que se aglomeram em redes, como medida de prevenção contra o contágio, o que certamente não foi capaz de impedir que a região fosse considerada com alto número de casos, tendo a capital Manaus beirado o colapso no sistema funerário. 

Apesar do esforço do Governo do Amazonas, que por meio de decreto no início da pandemia, em março, proibiu esse tipo de circulação pelos rios, a alta velocidade da propagação de contágio do novo coronavírus no interior do Amazonas acende o alerta para o desenvolvimento de novas políticas públicas.

Belém com 15,5% e Manaus com 12,7%, estão acima de cidades como Fortaleza com 8,9% e Recife com 3,4%. Tefé com 19,8%, e Breves, no Pará, ocupa com 25% uma posição elevada de casos positivos de Covid-19 testados pelos cientistas.

O estudo em inglês pode ser acessado clicando aqui.

Repórter

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