Sábado, 08 de Maio de 2021
PRODUÇÃO DE OXIGÊNIO

Cidade mais indígena do Brasil, São Gabriel da Cachoeira recebe usina de oxigênio

Através do projeto Asas da Emergência, do Greenpeace e da Foirn, a unidade vai apoiar toda a população do Baixo ao Alto Rio Negro (AM) no enfrentamento à Covid-19



GP1SV278_Medium_res_9D81E26D-818D-47DF-86E7-CF02C5BFD81E.jpg Fotos: Christian Braga / Greenpeace
19/04/2021 às 15:09

Na data em que se celebra nacionalmente o Dia do Índio, o Greenpeace Brasil e a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) inauguram uma usina de produção de oxigênio em São Gabriel da Cachoeira, região do Alto Rio Negro, no Amazonas. Doada pelo Greenpeace à Foirn, a usina, instalada na Unidade Básica de Saúde (UBS) Miguel Quirino, será gerida pela prefeitura municipal através de um Acordo de Cooperação Técnica consensuado entre organizações da sociedade civil e o poder público local.

Esta iniciativa inédita objetiva contribuir com as estratégias de controle da contaminação da Covid-19 justamente no primeiro município que teve seu estoque de oxigênio colapsado no Brasil, no início de maio de 2020. Em janeiro deste ano, houve outra preocupante crise no suprimento de oxigênio em São Gabriel que, apesar de ser um polo regional, fica a 990 km da capital Manaus, a única cidade no estado que possui leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).



A instalação dessa usina de oxigênio é promovida pelo projeto Asas da Emergência, do Greenpeace, que integra uma ampla rede de solidariedade e desde maio de 2020 já transportou 107 toneladas de alimentos e materiais de saúde e proteção para mais de 70 povos indígenas de cinco estados da Amazônia. A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e o Instituto Socioambiental (ISA) são parceiros que compõem essa ampla articulação de apoio a indígenas que vivem em áreas remotas da Amazônia, em que a logística é um desafio e o acesso à saúde bastante limitado.

"O contexto político atual é muito negativo para os povos indígenas e a pandemia deixou isso ainda mais evidente com a enorme carência de assistência à população. O papel da Foirn em liderar uma articulação para trazer essa usina de oxigênio para a região do Rio Negro demonstra a importância e a força da sociedade civil organizada, assim como do protagonismo das lideranças indígenas na luta por melhores condições de vida e saúde para suas populações", ressalta o cacique Marivelton Barroso, do povo Baré, presidente da Foirn.

A usina de oxigênio vai operar com alta performance, envasando até 12 cilindros de 50 litros diariamente, com oxigênio a 95% de pureza. Toda a região de abrangência da Foirn que, além de São Gabriel da Cachoeira, também engloba os municípios de Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos, irá se beneficiar do oxigênio produzido. Lar de 23 povos indígenas, que vivem em cerca de 750 comunidades, a população do Baixo, Médio e Alto Rio Negro totaliza aproximadamente 100 mil habitantes. Segundo um estudo da Coiab, a taxa de mortalidade pelo coronavírus entre indígenas (o número de óbitos por 100 mil habitantes) é 150% mais alta do que a média brasileira, e 19% mais alta do que a registrada somente na região Norte – a mais elevada entre as cinco regiões do país.  

“É admirável pensar que organizações indígenas serão responsáveis pela produção de oxigênio que irá salvar vidas na cidade que tem a maior população indígena do país. Este protagonismo assume um papel ainda mais relevante porque ocorre no momento em que o Brasil enfrenta o pior pico da Covid-19. Certamente, toda essa região estará mais preparada para o enfrentamento da pandemia daqui pra frente, especialmente se ocorrer uma terceira onda”, avalia André Freitas, coordenador da Campanha Amazônia do Greenpeace Brasil.

Segundo Nara Baré, coordenadora geral da Coiab, este é um importante legado para a população da região do Rio Negro. “A usina é resultado de um diálogo que iniciamos em dezembro de 2020 e sua implantação é estratégica pela abrangência da área que será atendida. Essa conquista é um legado para a população, e para chegar a esta definição tivemos o desafio de pensar estrategicamente onde a usina seria instalada, realizar todo o mapeamento da área e optar por um lugar onde, de fato, ela beneficiaria o maior número de pessoas”, explicou Nara. 

O Instituto Socioambiental (ISA), que tem sede em São Gabriel e há mais de vinte anos trabalha em parceria com a Foirn, integra essa articulação e assinará junto com a Foirn o  Acordo de Cooperação Técnica para gestão da usina com a Prefeitura de São Gabriel da Cachoeira e os Distritos Sanitários Especiais de Saúde Indígena (Dsei) do Alto Rio Negro e Yanomami, que atuam na região. 

"A colaboração da sociedade civil organizada para esse aporte ao sistema público de saúde da região do Rio Negro é uma conquista importante que demonstra a força do diálogo e das parcerias. Em diálogo e cooperação é possível enfrentar de forma articulada mais dimensões de um desafio e prover  benefícios para toda a sociedade e, em especial nessa região, remota, para (e com) os povos indígenas", afirma a antropóloga do ISA, Carla Dias.

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