Quinta-feira, 22 de Abril de 2021

O Poder da Informação


15/08/2020 às 10:37

Há uns quatro, cinco anos, quando eu fazia rádio todo sábado, noticiei o caso de assédio sofrido pela filha de uma amiga. Um professor da universidade ficava no ônibus do campus mostrando suas partes íntimas às alunas. Ela havia denunciado e judicializado o assunto e várias outras alunas apareceram como vítimas do mesmo professor. Dei repercussão ao assunto e recebi uma mensagem nas redes sociais, da irmã do então acusado (ele foi condenado), perguntando se eu não pensava no pai e na mãe do agressor. Não retrocedi, pois tinha elementos de sobra, mas confesso que aquilo fez eu me sentir desconfortável.

Passei dias remoendo aquela situação, com uma sensação ruim. Acredito que a dúvida para os profissionais de comunicação é sempre um benefício! Quem é todo certeza, todo razão, quem não se questiona talvez não consiga ponderar nada além de sua própria “verdade”. Lembrei do episódio porque passei a semana inteira refletindo sobre o poder da informação, bem como da desinformação. De certo que a imparcialidade é uma utopia a ser perseguida, mas alguma isenção há que ser mantida. E pelo andar da carruagem, veremos muita parcialidade e muita fake news nessas eleições municipais, sem pudores ou reservas.

A informação serve, em tese, de elemento para guiar as decisões do cidadão; é uma ferramenta de planejamento. Mas nessa guerra estabelecida por grupos políticos (e econômicos) pela hegemonia popular não há escrúpulos em disseminar a mentira, a confusão. Quem está perdendo é o cidadão. Lembro de uma postagem nas redes sociais, com centenas de milhares de compartilhamentos, que afirmava que determinado parlamentar federal havia entrado com um projeto para retirar versículos da bíblia, como se as escrituras pudessem ser alvo de alteração pelo Congresso Nacional!!!

Óbvio que era mentira, foi inventado para prejudicar a imagem do tal deputado. Mas fiquei me perguntando: será que era a ignorância que movia aquela adesão massiva à mentira? Não. Fui ver algumas das pessoas que compartilharam e de ignorantes elas não tinha nada. Foi por conveniência mesmo – a mentira é conveniente a muitos. Basta você colocar religião, família ou soberania nacional no meio para garantir o sucesso da sua fake news, por mais absurda que ela seja.

E a desinformação também tem suas redes no mundo real, assim como no virtual. Conheci uma figura baladeira e popular que numa eleição era paga pelo comitê de um candidato para disseminar mentiras sobre um opositor ao cargo majoritário. Funcionava assim: a central passava as pautas semanais que ela, em conversas com amigos, em papos no trabalho, ou em mensagens telefônicas, disseminaria insistentemente. E a figura me confessou: “É um trabalho tão fácil e bem pago que eu sempre dou uma caprichada”! E rolava de tudo: de dizer que o cara tinha um caso abafado de pedofilia e afirmar que ele era dado a orgias e drogas.

A mentira/ fake news age como uma espécie de marketing em rede, se espalhando tão rapidamente que a contrainformação com a verdade é quase que incompetente para esclarecer os fatos. Afinal, boa parte de nós prefere falar mal do que bem! O que importa é a fofoca. Mas quem perde somos nós, que nos deixamos influenciar por essas estratégias, até sem perceber.

E você, me diz aí: quem é você no jogo da informação? Aquele que tem cuidado com os fatos e as fontes? Ou um disseminador de mentiras, mesmo as sabendo mentiras, mas da sua conveniência? Nesse último caso, não se iluda: você também está prejudicando a você mesmo. Em nome de que? #Pensa


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